Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 18/10/2018

O Homo Sapiens é um ser naturalmente comunicativo, que a partir da linguagem e do uso de outras ferramentas – principalmente a mídia – manipula informações de acordo com os próprios interesses e crenças, dando origem ao termo fake news, ou notícias falsas. Nesse contexto, no atual quadro brasileiro, a informação rápida e em grande quantidade, afeta o discernimento da sociedade sobre a realidade. Contudo, é importante atentar às manipulações de informações e às injustiças praticadas por esse tipo de comportamento.

Em primeiro lugar, a sociedade é manipulada diariamente pela “overdose” de informação. Parafraseando a Alegoria da Caverna de Platão, prisioneiros nascem acorrentados em uma caverna, cuja parede são refletidas sombras do que há fora da caverna. Dessa forma, ao comparar a alegoria à Era da Pós-Verdade, a fake news age como um reflexo da realidade, manipulando a informação, cultura e ideologia da sociedade que não busca o conhecimento da verdade, como os prisioneiros da caverna. Logo, a overdose, ou seja, o excesso dessas informações de baixa qualidade junto ao desconhecimento das pessoas, facilita o poder de manipulação dos meios de comunicação, como ocorrido no nazismo.

Ademais, a fake news é um ato irresponsável de injustiça que pode levar pessoas à morte. Segundo o ativista político Martin Luther King, “a injustiça em um lugar qualquer é uma ameaça à justiça em todo lugar”, ou seja, quando alguém posta ou compartilha uma notícia de veracidade suspeita, que inclusive difama ou calunia outra pessoa, esse indivíduo está cometendo um crime por Lei contra a Justiça. Por exemplo, como aconteceu em 2014 no estado de São Paulo, quando uma mulher foi agredida até a morte por moradores de sua cidade após a circulação de um boato na internet que a acusava de envolver crianças em rituais de magia. Porquanto, a fake news é uma responsabilidade de toda a sociedade.

É indubitável, em suma, que necessita-se lutar contra os riscos da fake news na informação. Para isso, a mídia, aliada à sociedade, por intermédio das suas plataformas virtuais como redes sociais e portais, deve implantar o método de “fact checking” antes da circulação da informação, avaliando a veracidade dos dados através de uma pesquisa realizada por jornalistas e outros profissionais da comunicação, além de incentivar os leitores a não compartilharem informações más intencionadas, a partir de alertas que garantam a qualidade da informação recebida, como a disponibilização das fontes e data de publicação, a fim de que a fake news seja filtrada, de fato, no meio virtual. Assim, a sociedade poderá sair da caverna e impedir que injustiças perpetuem.