Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 03/10/2018

Na primeira metade do século XX, as matanças promovidas pelos grandes regimes totalitários, como o governo nazista de Adolf Hitler, esconderam-se e, erroneamente, justificaram-se detrás de falsos relatos, utilizados para manipular a massa populacional de seus respectivos países. Hodiernamente, esse problema se assemelha a um mal difundido pelo uso indiscriminado dos meios de comunicação, em função do seu alcance mundial imediatista. Nesse contexto, as chamadas “Fake News” constituem um desafio à sociedade, o qual ocorre devido não só à negligência daqueles que dela obtém vantagens, mas também pela desinformação de parte da população.

Segundo dados do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, notícias falsas se espalham, em média, 70% mais rápido que informações verídicas. Consoante Shakespeare em uma de suas célebres frases, é árduo escapar aos golpes de uma calúnia. Logo sua manipulação é, continuadamente, veiculada ao manuseio de massas populacionais e eventos, como protestos, uma vez que possuem, geralmente, caráter sensacionalista, muitas vezes utilizado para a obtenção de lucros, por meio da captação de doações em campanhas fictícias de auxílio à problemas sociais, os quais se configuram como principal justificativa para o seu surgimento e disseminação, segundo o Instituto Reuters para o estudo do Jornalismo.

Outrossim, se verifica que a construção de contextos deturpados tem sua base na limitação de acesso ao conhecimento por parte da população, tendo em vista o alicerçamento da cultura de buscas rápidas e compartilhamento de informações que não padecem de fundamentação, por meio de mídias sociais, as quais são, constantemente, vistas como fontes para a formação de opinião. No entanto, segundo o pensador francês Michel Foucault, é necessário que as pessoas conheçam o seu poder intelectual, para quebrar pensamentos errôneos construídos por outros. Assim, uma mudança nos costumes de leitura e habituação à busca pela verdade, é fundamental para auxiliar na coibição de notícias ilegítimas.

Portanto, incontestavelmente, medidas são necessárias para que seja mitigado esse impasse. Dessa forma, cabe ao Ministério da Educação investir na criação de campanhas que instiguem a população a formar opiniões baseadas em dados incontestáveis e verídicos, estimulando a leitura e escrita, para que seja formada uma sociedade crítica, invulnerável ao surgimento das “Fake News”. Ademais, é necessário que a administração das mídias sociais alertem seus usuários sobre o surgimento de falas notícias, para que sejam denunciadas e seus progenitores identificados, a fim de refrear sua divulgação, contribuindo para a diminuição e resolução desse quadro.