Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 04/10/2018

Em 2016, a expressão “Pós-verdade” foi eleita a palavra do ano pelo Dicionário Oxford, referência global na catalogação de novos termos. Esse fato evidencia o papel de destaque o qual as chamadas “fake news” assumiram, recentemente, no contexto global, atreladas ao potencial de disseminação destas pela internet em momentos de importância. Sob essa perspectiva, é válido abordar os impactos destrutivos das notícias falsas diante de cenários conturbados.

Primeiramente, cabe dizer que as “fake news” são uma ferramenta de manipulação de ideias geradora da hostilidade política. Mediante o processo de desconcentração da informação, no qual o público torna-se, também, emissor da mensagem, impulsionado pelas redes sociais, muitas pessoas e grupos buscam afirmar a sua opinião e atacar as ideias contrárias por meio das inverdades. Dessa forma, indivíduos sem um entendimento crítico acerca do contexto político o qual os cercam são “cooptados” pelo discursivo agressivo das notícias falsas de teor partidário, o que resulta nos vorazes digladios entre republicanos e democratas ou entre eleitores de Bolsonaro e eleitores de Haddad.

Ademais, é importante ressaltar que a chamada " Pós-verdade" não é prejudicial somente ao campo político. Sob essa análise, considerando-se a Teoria dos Ídolos de Francis Bacon - aborda a existência de preconceitos os quais impedem uma análise eficiente da realidade - , as inverdades produzidas propositalmente têm o poder de acentuar a exclusão de grupos já maginalizados. Esse fato é observado, por exemplo, na associação de refugiados a atos acriminosos na Europa e na disseminação de boatos sobre o " Kit Gay",no Brasil. Desse modo, por meio das “fake news”, agrava-se o ódio e a falta de empatia acerca de grupos já ligados a muitos preconceitos e estereótipos.

Fica claro, portanto, que a feroz expansão de notícias falsas propiciada pelo meio virtual possui um grande impacto negativo à sociedade em momentos de instabilidade. A fim de reverter esse quadro, é essencial que os Estados nacionais, por meio de seus órgãos reguladores, votem e aprovem leis as quais obriguem as gigantes empresas do setor virtual, como Google e Facebook, a tomarem medidas eficientes para coibir a proliferação de inverdades. Essas medidas podem envolver a parceria com Ongs jornalísticas para a checagem de dados e a  proibição de plataformas flagradas disseminando esses conteúdos de usarem a rede de anúncios dessas empresas para lucrar com publicidade. Assim, será possível miniminar o alcance destrutivo da “Pós-verdade.