Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 05/10/2018
No século XV, o inventor da máquina de imprensa - Johannes Gutenberg - revolucionou consideravelmente a sociedade da época, uma vez que esta inovação possibilitou maior divulgação de escritos e consequentemente de conhecimentos científicos. Em contrapartida, no século XIX, o advento da Revolução Técnico-Científico-Informacional, que alterou o modo de comunicação vigente, propiciou uma notória flexibilização de informações, o que facilitou o compartilhamento de notícias inverídicas, responsáveis por acarretar danos lastimáveis à sociedade civil.
Em primeira análise, é válido considerar que a propagação de notícias falsas não é um ato exclusivo da hodiernidade. Durante a Segunda Grande Guerra Mundial, Adolf Hitler apoderava-se destas em seu discurso político, com o intuito de valorizar sua ideologia antissemita e dominar a população alemã. Nesse viés, fica transparente que a veiculação de notícias não verdadeiras está diretamente interligada com o propósito de manipular pessoas e eventos, além disso, na contemporaneidade, elas também estão relacionadas ao sensacionalismo, que visa polemizar e obter “likes” para gerar lucro. De acordo com um estudo realizado pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), as notícias falsas se espalham 70% mais rápido que as verdadeiras; tal fato ocorre devido a utilização de artifícios estratégicos, tais como títulos instigantes e manchetes chamativas.
Em segunda análise, é importante ponderar que, atualmente, a disseminação de notícias falsas vigora, de modo especial, devido a falta de uma educação digital. Portanto, a escassez de uma orientação tecnológica, que aborde a maneira adequada de interagir com princípios éticos nas redes, impactam, de forma vultosa, a sociedade e gera uma desinformação coletiva. Segundo a ideologia do filósofo Aristóteles, o menor desvio inicial da verdade, multiplicaria-se ao infinito na proporção de seu avanço; tal situação é notória na veiculação de notícias inverídicas a respeito da ex vereadora Marielle Franco, após sua morte, a mesma teve seu nome vinculado a mentiras com o intuito de desqualificar sua imagem.
Portanto, é indubitável a adoção de medidas capazes de erradicar a disseminação de notícias falsas. Posto isso, cabe ao Governo Federal, junto aos recursos midiáticos, realizar maior divulgação das orientações digitais, a fim de detectar uma fake news e criar políticas públicas de conscientização em massa; Além disso, é essencial que o Poder Legislativo penalize, vigorosamente, os responsáveis pela criação de tais notícias. Por fim, é fundamental que o Ministério da Educação inclua uma disciplina extracurricular voltada à educação digital nas instituições de ensino, para, assim, fortalecer a liberdade de expressão e o uso da internet de forma democrática.