Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 05/10/2018
A “era da pós-verdade” vem se tornando uma grande definidora dos dias atuais, de acordo com o Dicionário Oxford, referência global na catalogação de novos termos. De fato, as notícias falsas tem mais poder de influência em moldar as opiniões públicas do que as verdadeiras, o que pode ser capaz de trazer problemas em diversas frentes na sociedade. Nesse sentido, dois aspectos fazem-se relevantes: a dinâmica social contemporânea e as ambições políticas e econômicas da atualidade.
Em uma primeira análise, é primordial ressaltar como os parâmetros sociais contribuem para o problema em questão. Conforme Zygmunt Bauman e a sua obra “A Modernidade Líquida” , uma das principais características da sociedade atual são a superficialidade e a fluidez das relações pessoais. Ao seguir essa linha de pensamento, nota-se que a persistência das fake news concorda com as ideias do sociólogo; uma vez que, a falta de diálogo interpessoal e o cotidiano complexo, repleto de atividades onde o tempo livre é minimo, torna o cidadão alheio das questões sociais que o circundam. Em razão disso, somado com a desinformação, quase não há interesse em buscar a veracidade das notícias, facilitando a sua propagação para um número maior de pessoas.
Adjacente a isso, é fundamental destacar os efeitos dos interesses políticos na manutenção dessa temática. Em outras palavras, é notório o potencial da internet, juntamente com as redes sociais, em disseminar informações a uma velocidade nunca imaginada antes, em praticamente todas as esferas sociais. De maneira análoga, é possível perceber que a permanência das notícias falsas se apoia nesse pressuposto; hasta visto que, diversos grupos políticos se aproveitam desses benefícios para obter vantagem sobre os adversários e popularidade, como aconteceu nas eleições dos Estados Unidos, quando um perfil falso do candidato Donald Trump realizou ofensas falsas à sua principal adversária. Em virtude desses atos, o resultado do pleito pode ter sido influenciado, o que poderá causar diversos problemas a longo prazo.
Infere-se, portanto, que o Estado e a mídia devem buscar saídas para essa problemática. Logo, é dever do Governo Federal, em parceria com o Ministério da Educação, promover um ensino capaz de desenvolver o senso crítico das pessoas por meio da reformulação do atual sistema de ensino praticado nas redes públicas e particulares, com a finalidade de impedir que os cidadãos sejam vulneráveis ás notícias falsas, e estimular o diálogo. Ademais, cabe aos veículos midiáticos, principalmente da internet, a criação de recursos tecnológicos inteligentes que identifiquem e destaquem notícias estranhas com o intuito de gerar suspeita no internauta que acessa-las e diminuir as chances de tais noticias se espalharem entre os navegadores.