Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 05/10/2018

Luz à transparência

Em uma das vertentes do Iluminismo — movimento social revolucionário do século XVIII —, previa-se que os avanços técnicos seriam pilares indispensáveis na consolidação do futuro bem estar social. No entanto, o atual cenário de disseminação de falsas notícias, principalmente em meios informacionais, opõe-se às premissas idealizadas no século das luzes. Urge, portanto, inquirir a problemática em consonância aos agentes sociais envolvidos.

Sob esse viés, é consistente frisar que a manifestação de pseudo notícias detém cunho antagônico: ora intensificada pelo uso de novas tecnologias, ora pelo uso de recursos midiáticos contra ideais democráticos. Em adição, o contexto pôde ser evidenciado pela eleição à presidência dos Estados Unidos, em 2016, marcada pela massiva presença de informações incontestáveis, por meio das redes sociais, a fim de polarizar conceitos e favorecer um extremo. Diante disso, torna-se explícito que as fake news abalam a esfera política, social e ideológica e, em suma, devem ser combatidas.

Outrossim, convém analisar que o montante de falsas notícias perpetua-se, ainda, devido ao crescente imediatismo da sociedade civil contemporânea. Prova disso são dados do Ministério da Comunicação, que apontam a decrescente variável no que tange à atestação de fontes de notícias recebidas por cidadãos brasileiros na internet. Nesse âmbito, tais fatos aludidos podem ser explicados pela obra ‘‘Modernidade Líquida’’ do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, que explica o afastamento de indivíduos de práticas filantrópicas, na pós modernidade.

Em síntese, indubitavelmente, faz-se necessária a adoção de medidas que visem, a curto prazo, atenuar os efeitos causados pelas falsas notícias. Por conseguinte, cabe ao Ministério da Segurança ampliar a ação de delegacias especializadas em crimes virtuais, a fim de atestar a veracidade das notícias expostas. À mídia, por sua vez, como forte poder de influência, compete estimular campanhas que visem orientar os cidadãos a confirmar a fonte de notícias, antes de compartilhá-las, a fim de favorecer a transparência comunicativa. Logo, frente à aplicação de tais ações, seria visível a formação de cidadãos mais conscientes, minimizaria as fakes news e daria luz a uma perspectiva iluminista.