Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 05/10/2018

O advento da internet no século XX e sua consequente popularização ao longo do século XXI proporcionaram a democratização do conhecimento em proporções globais. Entretanto, essa avalanche de informações veio acompanhada das “Fake News”: notícias inverídicas disseminadas com o propósito de manipular pessoas e situações. Essas são proliferadas devido à ausência de senso crítico de grande parte da sociedade, gerando graves impactos, como uma intensa polarização política e o comprometimento da integridade física das vítimas desses embustes.

O contexto vivido hodiernamente é caracterizado como a era da pós-verdade, onde fatos objetivos possuem menos influência na opinião dos indivíduos do que apelos relacionados às suas crenças e ideologias. Nessa lógica, nota-se que a maioria das pessoas tende a não questionar as notícias que compartilham, desde que essas legitimem suas ideias e concepções - principalmente no que tange à política. Percebe-se, assim, a intensificação de polarizações políticas no país, fincadas em sensacionalismos, desestabilizando a harmonia social ao impedir a promoção de diálogos benéficos  e racionais que propiciem à sociedade a verdadeira democracia.

Vale ressaltar, ademais, os grandes lucros proporcionados por esse mercado de notícias, em que os ganhos são proporcionais ao número de acessos, estimulando a produção das “Fake News”. Conforme o pensamento de Karl Marx, no sistema capitalista a ânsia por lucro ultrapassa valores éticos e morais. Essa tese pode ser ratificada ao se analisar a disseminação de artigos inverídicos que colocam em risco a saúde dos leitores menos informados, como, por exemplo, a associação de vacinas com a incidência de autismo nas crianças. Tal boato deu origem a um movimento antivacina, responsável pelo reaparecimento de doenças praticamente erradicadas, causando uma crise de saúde pública mundial.

São evidentes, portanto, os perigos advindos das “Fake News” e a necessidade de combatê-las. Cabe ao Ministério da Educação, aliado aos grandes canais de comunicação, desenvolver campanhas de caráter popular que visem fomentar o senso crítico dos indivíduos e auxiliá-los na identificação e na denúncia de notícias falsas. Somado a isso, os legisladores devem desenvolver leis que penalizem os produtores desse tipo de conteúdo e, concomitantemente, o Judiciário deve estabelecer uma maior fiscalização - principalmente via redes sociais - com o fito de coibir a proliferação de falácias nesses meios. Assim, mediante ação conjunta entre população e Estado, a transmissão desses embustes será cada vez menor e a sociedade, cada vez mais esclarecida.