Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 05/10/2018

A Constituição Cidadã, promulgada em 1988, teve como objetivo garantir e fortalecer a democracia e os direitos civis, políticos e sociais tão abalados pela Ditadura Militar recém finalizada. No entanto, seu conteúdo muito abrangente não obteve respaldo pragmático na sociedade, fator esse que resultou no deficitário cumprimento de alguns deveres estatais. Nesse contexto, a propagação de notícias falsas fere o sistema político e a cidadania tão importantes hodiernamente. Assim, deve-se analisar os impactos das “Fake News” no Brasil, bem como métodos para  mitigar tal situação.

Antes de tudo, é imprescindível compreender que espalhar notícias falsas pode ser estratégia de grupos para dominar outros. A esse respeito, o Plano Cohen, falso documento que continha uma suposta armação para a tomada do poder pelos comunistas, foi propagado na sociedade e gerou grande preocupação, o que contribuiu para a implementação da ditadura do Estado Novo de Vargas, em 1937. Dessa maneira, fica evidente o uso de “Fake News” de acordo com interesses, muitas vezes, pessoais. Além disso, a internet proporcionou uma mudança radical no aceso a informação, visto que muitas pessoas, diariamente, entram em contato com várias notícias de forma fácil e rápida. Todavia, não é razoável que o Brasil, o qual se encontra em Estado Democrático de Direito, seja indiferente ao tratar da circulação de notícias falsas que atinge o sistema politico e o bem-estar social.

Somado ao exposto, ainda vale a menção de que o sistema educacional falha ao ignorar o estudo embasado acerca das notícias falsas. Nessa perspectiva, a escola, por ser uma importante instituição que prepara o indivíduo para a vida social, foca no conteudismo e na aprendizagem passiva, o que não desenvolve pessoas críticas e prontas para julgar certo ou errado informações circulantes nas redes sociais. Outrossim, os professores não abordam esse assunto em sala de aula, deixando mais cidadãos propícios a propagar informações enganosas. Entretanto, é inadmissível que a escola retrate “Fake News” de forma marginalizada e superficial, sob pena de prejuízo a toda população.

Torna-se evidente, portanto, que há entraves para que a propagação de informações falsas seja atenuada. Visto isso, é mister que o Poder Executivo, na figura das secretarias estaduais, responsabilize-se em efetivar suas leis que garantam o bem-estar social e a dignidade humana, mediante a fiscalização em aparelhos propagadores de noticias e a aplicação de multas, a fim de punir pessoas que espalham noticias falsas. Ademais, cabe à escola promover palestras e aulas dinâmicas, com a ajuda de professores de linguagens e humanas, sobre as “Fake News”, seus impactos e como identifica-las, com o fito de criar indivíduos que saibam julgar criticamente algumas situações necessárias para que o convívio em sociedade não seja comprometido e todos desfrutem da cidadania.