Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 06/10/2018

Na Grécia Antiga existiam os sofistas, homens que se diziam propagadores do saber, mas que, na verdade, apenas ensinavam a retórica, ou seja, a arte do convencimento de pessoas com informações errôneas e não com o conhecimento por si só. Na contemporaneidade, de modo análogo ao que acontecia na Antiguidade, notícias falsas se espalham com grande rapidez, sobretudo nas redes sociais, o que causa transtornos e prejudica a democracia brasileira. Desse modo, faz-se necessário discutir o excesso de notícias sensacionalistas e falsas que circulam na internet, as fake news, e suas implicações.

Em primeiro plano, é importante ressaltar que atualmente, ocorre a ascensão da Terceira Revolução Industrial, a revolução técnico-científico-informacional, em que há uma significativa inserção de tecnologia e fluxo de informação na vida cotidiana. Esse novo mundo tecnológico e globalizado proporcionou um bombardeio de informações nas redes sociais, em sua grande maioria, falsas, que dificultam o acesso aos conteúdos verdadeiros e importantes para o debate de ideias e a formação de opiniões em uma sociedade democrática. Assim, em virtude disso, é comum que essas fake news interfiram diretamente em assuntos políticos da vida dos cidadãos, por exemplo, como ocorreu nas eleições presidenciais dos Estados Unidos, em que esses artigos falsos da internet influenciaram na escolha do presidente do país.

Outrossim, o Brasil, essencialmente, passou a ser condicionado pela era da pós-verdade, conceito criado para se referir àqueles indivíduos que aceitam e compartilham fatos fluidos e sensacionalistas, sem nem ao menos se certificarem de sua veracidade. Nesse contexto, criou-se um “mercado de notícias” em que sites e páginas, passaram a lucrar com notícias de cunho sensacionalistas que buscam persuadir e levar o leitor a divulgá-las, e isso cria um círculo de distribuição de informações falsas. Destarte, nessa era das fake news, majoritariamente, ocorre muito mais uma desinformação dos internautas acerca dos problemas sociais e dos acontecimentos relevantes que permeiam a sociedade, do que a informação desses, que deveria ser o grande objetivo da internet.

É evidente, portanto, a necessidade de medidas que mitiguem o impasse. Cabe ao Poder Legislativo brasileiro criar leis eficazes que criminalizem o ato da criação e da divulgação em massa de informações falsas por meio de medidas que exijam de sites como o “google” e o “facebook” a investigação de indivíduos responsáveis por essa circulação de fake news. Tudo isso a fim de barrar essas notícias que prejudicam a  consolidação da democracia brasileira, já que a internet se tornou um grande meio de debates e de diálogos sobre os mais diversos assuntos imprescindíveis para o país.