Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 06/10/2018

No ano de 1937, o Brasil se via diante de um derradeiro escândalo generalizado: o “Plano Cohen”, que previa a suposta instauração de um regime comunista nas terras tupiniquins. Sob essa justificativa - posteriormente descoberta falsa, vale-se dizer - foi implementado o Estado Novo, por Getúlio Vargas. Entretanto, mesmo após mais de 80 anos, as notícias falsas continuam fazendo parte da realidade brasileira, alcançando números estratosféricos com o atual advento da tecnologia digital. Assim, é salientada a urgência de se analisar os fatores que circundam a problemática, como também a de propor medidas combativas.

Em primeira análise, convém apontar que a propagação das “fake news” - termo comumente associado à prática das notícias falsas - tem como sua origem, lamentavelmente, o enorme despreparo e a “analfabetização” digital por parte dos brasileiros. Sendo assim, um dos pilares da persistência desse impasse é a precariedade da democratização do ensino público, somados aos escassos investimentos em capacitação profissional e infraestutura informática por parte do Estado, para com as escolas. Dito isso, conforme o pensador Immanuel Kant, o homem é aquilo que a educação faz dele. Todavia, lamentavelmente, os efeitos de uma má formação educacional mostram seus resultados na medida em que um contingente cada vez maior de brasileiros opta pela desinformação e ignorância.

Em segunda análise, cabe ressaltar que o ato de divulgação de notícias falsas fere diretamente a Constituição Brasileira de 1998, que prevê o direito à informação para todos os cidadãos, em equidade. Isso porque tal divulgação pressupõe a sobreposição de interesses pessoais ao coletivo, utilizando-se de meios irresponsáveis para ludibriar a população, e garantir a adesão de seus ideais à força. Por fim,  lastimavelmente, as “fake news” acabam sendo utilizadas como instrumento de coerção e manipulação, principalmente no que tange ao aspecto político de uma sociedade.

Logo, considerando o deplorável cenário hodierno propiciado pelo problema, medidas são necessária para resolvê-lo. Dessa maneira, é preciso, portanto, que o Estado - em especial, o Ministério da Educação - reformule as agendas e programações educacionais nas escolas, financiando a construção e manutenção de laboratórios de informática, de forma que desde cedo os jovens possam ter contato com a tecnologia. Ademais, esse contato deve ser guiado por professores especializados, que, por meio de cursos de capacitação presenciais, irão apresentar aos estudantes como se portar na internet, além de identificar a veracidade dos conteúdos ali expostos. Todas essas medidas devem ser atuadas com o fito final de alcançar uma sociedade mais autônoma em sua informação e intelectualização, superando as barreiras finais promovidas pelas “fake news”.