Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 08/10/2018
Pós-verdade.Etimologicamente, designa a manipulação da notícia,com vistas a atender interesses particulares. Eleita,em 2016, como palavra do ano pelo Dicionário Oxford, ela ilustra o desafio da sociedade digital no combate aos factoides. No Brasil, a inabilidade em conter o avanço desse problema favorece a formação de uma cultura de desinformação prejudicial ao sistema democrático. Nesse contexto, refletir sobre o raso senso crítico do cidadão e a negligência educacional é fundamental.
A princípio, destaca-se o baixo poder de reflexão como um dos principais empecilhos para atenuação do fluxo de notícias inverídicas. Sob esse viés, a filósofa Hannah Arendt, na sua teoria sobre a “banalidade do mal”, critica a passividade cidadã diante da imposição de ideologias. De maneira análoga, o imediatismo pós-moderno, associado à multiplicidade de conteúdos veiculados nas redes sociais e à passionalidade de parte significativa da sociedade formam condições propícias para a disseminação de inverdades. Por conseguinte, o caso da dona de casa Fabiane Maria de Jesus, que, em 2014, foi vítima de linchamento em São Paulo, após a divulgação de um boato nas mídias digitais exemplifica o perigo dessa problemática. Dessa forma, é essencial buscar reverter esse quadro.
De outra parte, a falta de alfabetização digital também corrobora a permanência desse cenário danoso. A esse respeito, Paulo Freire, filósofo brasileiro, defendia um modelo educacional que dialogasse com a realidade do discente. Embora a contato com as redes sociais seja cada vez mais cedo, a escola ainda, na sua maioria, não dispõe de projetos pedagogos para instruir o aluno acerca do reconhecimento de informações duvidosas. Sendo assim, é primordial que as diretrizes programáticas não se afastem do contexto sociocultural do estudante, segundo Freire, assim, a partir do fomento à razão crítica o enfrentamento das “fake news” poderá ser efetivo.
Entende-se, portanto, a necessidade de mitigar os perigos da propagação de notícias falsas. Para isso, convém ao Ministério das Comunicações estimular a checagem de dados, por meio de intercâmbio técnico com a Agência LUPA - pioneira nesse tipo de trabalho- que devem elaborar materiais específicos, como vídeos de curta duração e “banner”, com orientações atinentes à identificação de boatos. Paralelamente, o Ministério da Educação precisa inserir currículos escolares estudo de novas tecnologias digitais desde o ensino infantil, por meio da alteração dos Parâmetros Nacionais Curriculares, que busque incluir uma matéria específica. Almeja-se, com essas propostas, assegurar um dos preceitos constitucionais: o acesso à informação, desconstruindo, assim, a cultura da pós- verdade.