Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 07/10/2018
No Brasil contemporâneo, vive-se sob a égide de uma democracia que provém da Constituição Federal promulgada em 1988. A partir desse pressuposto, inscritos em tal conjunto de leis, estão os direitos fundamentais, os quais são descritos no artigo 5º, assegurando, por exemplo, a liberdade de expressão a todos os cidadãos. Entretanto, apesar de garantido pela Carta Magna vigente, podemos perceber que a persistência de heranças históricas contribuem para os perigos das Fake News na era da informação. Logo, torna-se necessária maior atenção do Estado e da sociedade para mitigar esse desafio e não permitir que o uso exagerado da liberdade de expressão prejudique as informações.
A priori, vale ressaltar a significante carga histórica que as fake news apresentam, já que advêm da Revolução Industrial, na segunda metade do século XIX. Nesse contexto, com o surgimento dos novos meios de comunicação, como a internet, houve um fortalecimento da liberdade de expressão e consequentemente abriu caminhos para serem divulgadas quaisquer informações, até mesmo aquelas que não são verdadeiras. Desse modo, disse Joseph Goebbels: “Uma mentira repetida mil vezes, torna-se verdade”, a exemplo do caso da vereadora Marielle Franco, que foi executada e surgiram falsas notícias sobre sua trajetória política e pessoal.
A posteriori, caberia lembrar ainda as palavras de Ulysses Guimarães, célebre político brasileiro. Esse escritor, por seu turno, dizia que: “A liberdade de expressão é apanágio da condição humana e socorre as demais liberdades ameaçadas, feridas ou banidas.” Essa afirmação sintetiza um princípio democrático, no entanto, as pessoas têm abusado desse direito para divulgarem falsas notícias em benefício próprio e muitas vezes para prejudicar outras pessoas. Nesse sentido, a divulgação de fake news faz surgir uma sociedade alienada por restringir o seu campo informacional, gerando indivíduos ainda mais manipuláveis e suscetíveis à qualquer notícia.
Destarte, para enfrentar os desafios de assegurar os direitos fundamentais, principalmente os referentes à liberdade de expressão, é necessária uma política que se oriente pelo princípio da responsabilidade compartilhada dos atores sociais, como o Estado e a sociedade. Inicialmente, compete ao Governo, na figura do Poder executivo, promover políticas públicas, por meio da formação de profissionais capacitados em instruir as pessoas sobre os limites da liberdade de expressão e sobre a importância serem divulgadas apenas notícias verdadeiras, com o intuito de erradicar as fake news e os problemas causados por ela. Por fim, é função da sociedade civil organizada, por sua vez, sensibilizar a população, por intermédio de campanhas nas redes sociais sobre os perigos das fake news, a fim de serem transmitidas apenas fatos verídicos e produtivos.