Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 07/10/2018

Durante o século XVIII, no contexto da Revolução Francesa, o jornal “carnad” ficou conhecido por propagar notícias falsas com o intuito de alterar as decisões políticas do período. Contudo, embora tenham ocorrido vários avanços ao longo dos anos, as fake news ainda são um obstáculo no mundo hodierno, principalmente em virtude do avanço técnico-informacional. Nesse contexto, deve-se analisar como a mídia e a sociedade causam tal problema e como combatê-lo.

Em primeiro lugar, é notório o papel da conduta midiática no que tange à manutenção de notícias falsas na contemporaneidade. Isso porque, devido a necessidade de visibilidade imediata por parte dos interlocutores, são comuns, nessa instituição, casos em que sites de fofoca, ou noticiários, veiculem história errôneas sobre assuntos polêmicos – especialmente os relacionados a famosos, visando apenas gerar repercussão e garantir audiência para a empresa. Tal postura é contrária à ética kantiana de que o comportamento humano deve ser baseado na manutenção da ordem social e, consequentemente, surgem transtornos e conflitos entre os envolvidos, assim como a propagação de discursos de ódio.

Além disso, nota-se, ainda, que a postura da sociedade também contribui para a perpetuação do problema. Isso se deve à ausência de criticismo na maioria da população, reflexo de uma educação opressora que busca apenas depositar conhecimentos em detrimento do fomento ao pensamento analítico, conforme defendeu o educador Paulo Freire em sua obra “Pedagogia do Oprimido”. Desse modo, aliado ao desenvolvimento dos meios de comunicação, os indivíduos tornam-se propagadores de notícias falsas inconscientemente, o que culmina no normatização de calúnias e difamações, sobretudo no meio virtual.

Torna-se evidente, portanto, a iminência em cessar a problemática. Em razão disso, os órgãos midiáticos, por efeito do pressionamento de ONGs, devem aprimorar a veracidade das informações disseminadas, através da contratação de mais jornalistas e moderadores de conteúdo, responsáveis pela fiscalização prévia da notícia que será transmitida, com o fito de mitigar as ocorrências de fake news e conflitos sociais. Ademais, é indispensável que o Ministério da Educação, em sinergia com pedagogos, reformule o ensino infantil, fundamental e médio, por meio da inserção de uma educação crítica, a fim de formar indivíduos questionadores da realidade e manter a ordem social preconizada por Kant.