Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 14/10/2018

“No meio do caminho tinha uma pedra”. O trecho tirado do poema “No Meio do Caminho” de Carlos Drummond de Andrade, obra do modernismo brasileiro, usa de metáforas para aludir aos obstáculos enfrentados pelo eu lírico em sua trajetória. Hodiernamente, a situação exposta na poesia assemelha-se às dificuldades enfrentadas cotidianamente pelos cidadãos no Brasil, os quais buscam arduamente maneiras de acessar informações confiáveis. Nesse contexto, não há dúvidas de que as “fake news” são um desafio no país, as quais podem gerar, indubitavelmente, não só a alienação da sociedade, mas também a falta de senso crítico.

É sabido em primeiro lugar que a difusão de falsas notícias é capaz de produzir desorientação geral. No entanto, embora tal ato seja agravado pela tecnologia atualmente, essa prática ocorre há muito tempo. Neste sentido, é possível remeter à década de 60, após a renúncia do presidente Jânio Quadros, rumores de que o vice Jango fosse adepto ao comunismo levaram milhões de pessoas às ruas e, com a ajuda dos EUA, modificou o modelo vigente para o parlamentarismo. À vista disso, é irrefutável a influência dessa ação nas grandes massas, ampliada exponencialmente em face do poder imediato dos meios digitais.

Outrossim, outra problemática é a ausência de criticidade dos indivíduos diante de informações. Nessa perspectiva, essa qualidade é essencial para combater dados errôneos -segundo a Agência Lupa. Dessa maneira, consoante ao método de investigação dedutivo de René Descartes, no qual o filósofo e matemático divide todos os informes em 4 etapas, buscando atingir a verdade irrefragável. Isto posto, logo verifica-se a relevância desse conceito, à medida que, ao defrontar-se com um dado, as pessoas não mais exercem seu senso crítico, admitindo-a, imediatamente, como verdadeira.

É evidente, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem a construção de fontes seguras no âmbito informacional. A princípio, compete ao Governo Federal a criação de um Órgão Controlador, o qual irá, por meio de investimentos e parcerias com empresas privadas voltadas para tecnologia, tirar do ar os sites ou perfis difusores de “fake news” imediatamente, alcançando, então a consolidação de uma população, verdadeiramente, bem informada. Concomitantemente, impede ao Ministério da Propaganda a criação de anúncios televisivo, os quais exprimam ferramentas à população para identificar fontes não confiáveis e, por meio de um portal de denuncia online, sejam capazes de contribuir com o fim desta prática, intentando a execução do pensamento crítico defendido por Descartes e, por conseguinte, extrair a pedra do caminho.