Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 07/10/2018
Em sua alegoria da caverna, Platão - filósofo ateniense- descreve a formação de uma realidade intencional que, baseada somente no mundo das sombras, era imposta como verdade. De forma análoga, na sociedade hodierna, a veracidade das informações têm sido comprometidas com a incidência das “fake news” (notícias falsas), o que simboliza um entrave social. Nesse contexto, faz-se pertinente considerar os instrumentos midiáticos e as poucas medidas socioeducativas no que tange ao impasse.
Mormente, é válido salientar sobre os interesses políticos e econômicos envolvidos na circulação de informações inverídicas fortalecidos pela mídia. Por exemplo, em 2016, durante as eleições estadunidenses, houve boatos que afirmaram o apoio do Papa Francisco a candidatura do presidente Donald Trump, o que contribuiu significativamente para sua vitória, haja vista a mobilização popular, principalmente católica. Tal situação ocorre, na concepção dos sociólogos alemães Adorno e Horkheimer, porque os canais de comunicação moldam e direcionam a opinião do indivíduos. Em suma, influenciado por essa característica, o meio que deveria expor apenas a verdade factual contribui para a ocorrência da adversidade.
Outro aspecto relevante diz respeito a precária educação virtual difundida entre os cidadãos. Sob tal ótica, diante do cenário de polarização ideológica, as pessoas inseridas nas redes sociais tornam-se predispostas a compartilhar e acreditar apenas em conteúdos que confirmem suas crenças, desprezando, em algumas ocasiões, valores éticos a fim impor seus pensamentos sobre o outro. Prova disso é que segundo dados divulgados divulgados pelo instituto de pesquisa DataFolha, os brasileiros estão 4 vezes mais propensos a ignorar informações que confirmam uma ideia com a qual não concordam. Logo, é inegável que a falta de senso crítico ao evitar o contato com o contraditório fragiliza os ideias democráticos do país.
Impende, portanto, a necessidade de combater as notícias falsas diante de seu perigo para a sociedade. Para isso, o Ministério Público deve, em parceria com empresas que gerenciam os meios de comunicação, criar ferramentas eficientes de denúncias de perfis e páginas de notícias tendenciosas no intuito de que os infratores sejam devidamente punidos e a imparcialidade da mídia seja assegurada. Ademais, urge a atuação do Ministério da Educação na criação de medidas educativas que fomentem o senso crítico e a ética, por meio de programas nas escolas e nos principais locais públicos que ratifiquem a importância do diálogo saudável para um consenso a fim de que a democracia seja plenamente consolidada. Espera-se, assim, que a verdade dita como absoluta fique restrita a filosofia.