Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 08/10/2018

Segundo Joseph Goebbels, ministro da propaganda de Adolf Hitler, uma mentira repetida inúmeras vezes torna-se verdade. Nessa perspectiva, no século XXI, embora exista a conquista da democratização da informação, a quantidade e a velocidade com que as notícias falsas propagam-se e repetem-se na rede têm interferido, negativamente, na vida das pessoas. Nesse contexto, não só o crescimento de indivíduos que usam a internet para manterem-se informados, mas também o despreparo dos que recebem as " fake news"  são os principais intensificadores desse problema.

Convém ressaltar, a princípio, que o índice de brasileiros que usavam as redes sociais como fonte de notícias era de 47% em 2013 e saltou para 72% em 2016, segundo estudo publicado no Jornal Folha de São Paulo. Diante disso, ter as redes sociais como única fonte de informação na era pós-verdade pode ser um grande perigo. Isso porque, como qualquer pessoa pode produzir informação na internet, seja ao vivo ou gravada, muitos conteúdos publicados podem ser falsos, por exemplo, áudios e vídeos de chás que prometem curar câncer e influenza feitos por “especialistas” no assunto ganharam significativa adesão em 2018.

Além dos indivíduos estarem cada vez mais em contato com notícias falsas, os mesmos estão despreparados para enfrentar esse bombardeio tendencioso. Assim, há quem pense que os principais culpados pelas “fake news” são quem as produzem e as empresas de mídia, entretanto, a responsabilidade maior recai em quem recebe a mentira e a compartilha sem ter certeza de sua veracidade. Conforme o escritor Umberto Eco, a internet deu voz aos imbecis. Logo, boatos sempre ocorreram na história da humanidade,e, como as redes sociais tornaram o problema mais complexo, cabe às pessoas estarem preparadas.

Infere-se, destarte, a necessidade de combater os perigos das “fake news” na era da informação. Para tanto, é papel das Secretarias Municipais da Educação, em parceria com os jornais e mídias locais, promover debates semanais sobre as notícias falsas. Isso por meio de dicas sobre como identificar notícias tendenciosas, o que fazer com elas, além de contar com a participação da população e esclarecimento de casos regionais e nacionais mais recentes. O objetivo é oferecer fonte confiável de notícia e alertar sobre as consequências das notícias falsas no plano individual e coletivo. Assim, os cidadãos da era pós-verdade estarão devidamente preparados e evitarão que mentiras compartilhadas inúmeras vezes tornem-se “verdade”.