Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 10/10/2018

O período que precedeu a ditadura militar no Brasil contou com notícias acerca de uma possível ameaça comunista como artifício de convencimento popular para a aceitação do regime. Embora passadas décadas, as notícias falsas, agora chamadas de “Fake News”, continuam distorcendo a visão popular sobre a realidade, fator agravado pela impunidade aos criadores e a dificuldade de distinção entre notícias verdadeiras e falsas. Dessa maneira, o fenômeno põe em risco a democracia brasileira.

Em primeiro plano, é inegável a facilidade de criação e difusão de conteúdos na internet durante a era digital. Não obstante, essa simplicidade favoreceu uma onda de nóticias desleais nas redes sociais do Brasil, fato ilustrado pela pesquisa da USP-Univerdade de São Paulo- que listou as 20 fontes mais propagadoras de “Fake News” no país. Mesmo assim, após a divulgação do estudo, nenhuma das fontes ou dos criadores de notícias falsas foram punidos,o que vigora a permanência do impasse e a deformação da realidade no ponto de vista dos receptores de tais conteúdos.

De segunda parte, existe, ainda, a dificuldade dos leitores internautas em identificar as “Fake News”. Desse modo, assim como nas eleições estadunidenses, quando calúnias foram divulgadas sobre a adversária de Donald Trump, o que contribuiu para a eleição do mesmo, o ato de produzir inverdades tornou-se uma ferramenta política também no Brasil. Portanto, haja vista a falta de algo que garanta a veracidade das notícias, a “Fake News” tornou-se um dos principais empecilhos não apenas nas eleições brasileiras, conforme o Tribunal Superior Eleitoral, mas, também, à democracia do Brasil.

Urge, por isso, a necessidade de combater a impunidade aos autores de “Fake News” assim como de estabelecer maneiras de identificação dessas. É mister que o Congresso Nacional priorize a votação e aprovação de projetos de lei que visem a penalização dos autores, o que pode incluir o pagamento de multa à pessoa ou instituição prejudicada, de forma a atenuar a produção desenfreada de desinformações. Ademais, as mídias e fontes reconhecidas do país poderão promover um selo de segurança que será aplicado sempre que houver a comprovação e garantia da veracidade das notícias, de modo a facilitar a leitura segura dos internautas. Em suma, a “Fake News” não mais ameaçará a democracia brasileira como o fez décadas atrás.