Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 10/10/2018
Na obra “1984”, de George Orwell, as notícias e estatísticas veiculadas pelos jornais da Oceania eram adulteradas pelo “Ministério da Verdade”, à medida que o conteúdo destas ou discrepava da realidade ou patenteava alguma controvérsia do regime vigente. Atualmente, no Brasil, alguns indivíduos também têm recorrido à deturpação - de imagens e discursos - por motivos vis e unilaterais. Isso se evidencia pelo acesso fácil às redes sociais e tecnologia e pela ínfima carga de leitura dos brasileiros.
Os modernos computadores e celulares são formidáveis meios de propagação de conteúdos digitais, pois detêm tecnologia capaz produzir e transmitir, rápida e exponencialmente, uma miríade de notícias, fotos e textos nas redes sociais. Assim, pessoas anônimas podem gerar e reproduzir o que lhe convirem para milhões de outros sujeitos no Brasil e no mundo. Entretanto, alguns indivíduos, deliberadamente, difundem inverossimilhanças, ignominiam figuras idôneas, distorcem informações e fatos no fito de solapar a imagem de pessoas públicas, organizações sociais e políticas, religiões e etc., o que exorta uma conjuntura marcada pela polarização, discórdia, intolerância e preconceito. Sob esse aspecto, cumpre afirmar que a liberdade e autonomia de expressão, próprias do ambiente das redes sociais, encerram respeito e prudência; conceitos estes que, por frivolidade e dobrez, algumas figuras desconhecem e rejeitam.
Outrossim, é incontestável que o hábito regular da leitura desenvolve e otimiza as faculdades do pensamento crítico e analítico. No entanto, segundo dados do Ibope, 44% da população brasileira admite que não lê, ao passo que 30% jamais investiu em um livro. Entre as justificativas para essa rejeição, diz-se que não há disponibilidade de tempo, que ler é insosso e que os livros são caros. Conseguintemente, essas pessoas são persuadidas pelos referidos materiais difundidos na Internet, que, não obstante possuírem burlesco apelo emocional, patente subjetividade e dissonância com a realidade, são aceitos cegamente por aquelas, uma vez que não pesquisam mais de uma fonte - afinal, não leem - e se deixam ser convencidas por qualquer disparate. Nesse sentido, o axioma de Derek Bok faz-se pertinente: “Se você acha a educação cara, imagine a ignorância”.
Dessarte, é imprescindível que os usuários das redes sociais tornem-se ávidos leitores. Para isso, é mister que o MEC estabeleça nas escolas, TV e Internet programas com tertúlias sobre obras literárias que se relacionem com as temáticas mais polarizadas da sociedade brasileira, a fim de que se infunda nos brasileiros o senso crítico e a ânsia pela verossimilhança. Desse modo, os ociosos deturpadores desaparecerão progressivamente, à proporção que seus feitos sejam questionados e ignorados, bem como que os casos de falsificação de notícias restringir-se-ão à sociedade destópica de 1984.