Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 10/10/2018
A Guerra fria – período de bipolarização mundial – foi marcada por intensas disputas entre o lado capitalista (EUA) e socialista (URSS). Dessa rivalidade, surgiram diversos avanços tecnológicos, entre eles, a internet. Entretanto, esse desenvolvimento, por vezes, tem sido palco de disseminação de informações sensacionalistas e falaciosas. Com efeito, a ausência de cautela dos internautas e impunidade aos disseminadores das fake news agrava ainda mais a problemática.
Em primeira análise, observa-se o pensamento do filósofo Habermas, o qual ele deixa claro que os meios de comunicação seriam fundamentais para conquistar a razão comunicativa. Contudo, no Brasil, o cenário atual contraria a percepção do alemão, visto que a utilidade dos recursos tecnológicos nem sempre são bem aproveitados. Nesse viés, a experiência superficial da sociedade brasileira – a qual, muitas vezes, se limita a ler manchetes disponibilizadas nas redes sociais – diante da abundância de informações, não consegue discernir a veracidade das notícias. Consequentemente, mensagens falaciosas e boatos difundem-se na internet e causam danos morais a diversos cidadãos e instituições.
Sob essa conjuntura, também é pertinente expor a questão dos disseminadores de fake news. Nesse cenário, a escassez de regras no espaço virtual corrobora para a dificuldade de identificar os propagadores, pois esses se beneficiam do anonimato, tendo em vista que a maioria dos sites não identificam os autores dos textos e não publicam endereço ou telefone para contato. Outrossim, a ausência de leis que tipifique essa situação como crime colabora para a impunidade dos criadores de boatos e continuidade desse impasse.
Compreende-se, portanto, a necessidade de mudar o cenário hoax – boato ou farsa da internet – vigente. Para isso, é preciso que o Ministério Público, em consonância com a mídia televisiva e digital, promova campanhas que visem alertar os internautas sobre as falsas informações e riscos de danos pessoais, orientem o público para que as pessoas sempre verifiquem fontes seguras antes de compartilhar tudo o que leem. Além disso, devem favorecer telefones ou endereços digitais para que os usuários denunciem páginas divulgadoras de fake news, objetivando que os órgãos responsáveis removam os conteúdos da internet e penalize os autores da infração. Assim, as inovações advindas da Guerra Fria sejam utilizadas de forma mais sensata e segura.