Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 11/10/2018

O escritor Shakespeare, que na peça de Hamlet afirmou ‘‘mesmo que sejas tão pura quanto o gelo, e casta como a neve, não escaparás dos golpes da calúnia’’, foi vítima, séculos depois, da inveracidade sobre a falta de autoria em sua obra. É notório que as ‘‘Fake News’’ não são um problema atual, no entanto, com o auxílio das tecnologias, as informações são capazes de repercutir mais rapidamente e influenciarem um número maior de pessoas. Desse modo, a mobilização para preservar o correto manuseio do conteúdo faz-se necessário para reduzir os impactos na sociedade.

Um dos perigos é a convergência conturbada da liberdade e libertinagem. Isso porque, devido ao poder  de veiculação das notícias falsas, elas têm sido utilizadas como uma ferramenta manipuladora de opiniões, com a finalidade de ganhos financeiros ou políticos e por isso, podem acabar infringindo os Direitos Humanos. Tendo como exemplo, o caso da deputada Marielle Franco, que mesmo após seu falecimento foi propagada a falsa existência de uma ligação entre ela e o Comando Vermelho, apenas para reduzir a sua influência, de acordo com o próprio autor da notícia. Assim, é evidente que a ética nessas condições fica cada vez mais fragilizada.

Além disso, há um enorme prejuízo para a democracia e a população. Em razão da pouca confiabilidade no conteúdo circulado, o acesso à um que seja de qualidade fica prejudicado e por isso, a construção de um posicionamento também. Consequentemente, o uso reforçado de material que não é baseado na realidade, afeta diretamente na construção de uma sociedade participativa e a torna conturbada. Logo, o sistema governamental fica ameaçado e o Estado, por não resguardar corretamente os direitos dos indivíduos, classifica-se como falho, segundo o sociólogo John Locke.

Portanto, é imprescindível que o CONAR se responsabilize por, através de propagandas para a população, incentive a pesquise de informação por meio de fontes variadas, a fim de ajudar na identificação de uma notícia falsa. Soma-se a isso, a atuação do Ministério da Educação em promover em escolas, juntamente a acadêmicos da área de Linguagens, debates estudantis sobre assuntos pertinentes para o país, como a violência, saúde e a própria educação, a fim de fortalecer o senso crítico. Com isso, aos poucos, as calúnias serão resolvidas.