Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 12/10/2018

Émile Durkheim afirmou, em seu eminente estudo da morfologia social, que a sociedade é análoga a um “corpo biológico” por ser, assim como esse, composta por partes que interagem entre si. Dentro dessa lógica, o engajamento social na busca pela verdade representa um valor determinante para alcançar a convivência coletiva harmoniosa. No entanto, a propagação de notícias falsas em meios virtuais rompe com tal harmonia à medida que instaura uma histeria social. Assim, é imprescindível discutir os fatores corroborantes a essa situação para compreender os impactos do problema.

É indubitável que a distorcida visão acerca da realidade política configura-se o principal perigo das “Fake News”. Análogo ao Mito da Caverna platônico, as notícias falsas são amarras do indivíduo para a compreensão fidedigna da realidade. Todavia, por ser um fenômeno social recente, essa conjuntura ainda carece de plena atenção governamental, que reflete a ínfima regulamentação da internet para reverter a Era da “pós-verdade” instaurada. Assim, discursos falsos nos meios virtuais concretizam as incoerências em dimensões políticas mundiais. Na Colômbia, por exemplo, o acordo de paz com as Farc foi diluído devido à influência das “Fake News”, que convenceram grande parte dos eleitores de que ele fomentaria a dissolução das famílias e a homossexualidade das crianças. Dessa forma, torna-se claro que a inexistência de um controle dos conteúdos publicados faz com que a internet torne-se impulsionadora da inversão de valores e realidades.

Ademais, as notícias falsas de caráter calunioso também representam um impacto aterrador na era da informação à medida que fere um direito individual imprescindível: a dignidade humana. Fato que comprova isso é a morte de Fabiane de Jesus, espancada após boatos sobre rituais que envolviam crianças, espalhados em redes virtuais. Tal conjuntura, certamente, também é fruto da falta de uma educação digital, já que muitas pessoas não detém a capacidade de selecionar criticamente os fatos expostos na internet e tornam-se veículos de “Fake News”, que podem gerar a destruição de vidas.

Portanto, a fim de assegurar que a verdade se sobreponha à falsidade na era da informação, é necessário que as responsabilidades sejam partilhadas entre Poder Público e mídia. Esta deve promover campanhas em TV aberta que conscientizem a população da gravidade do problema e orientem acerca da necessidade de filtrar os conteúdos expostos, a fim de desenvolver maior esclarecimento digital. Além disso, cabe ao MCTIC (Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações) conceder benefícios fiscais à empresas privadas de sistemas para internet que reconheçam as “Fake News” nos meios virtuais e as excluam de forma imediata, objetivando conter a sua expansão. Assim, será possível reverter o problema e alcançar a harmonia coletiva.