Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 16/10/2018

No século atual, é bastante contraditório que notícias falsas e absurdas - como vacinas causarem autismo em crianças - se disseminam tão facilmente em plena era da informação. No Brasil, essas inverdades são amplamente compartilhadas nas redes sociais, o que denota perigos e prejuízos à sociedade. Isso se deve, sobretudo, à precariedade na formação crítica dos brasileiros e o consumismo informacional.

Em primeira análise, vale ressaltar a importância da verificação da veracidade das informações recebidas, principalmente nas redes sociais. Nesse sentido, segundo Platão e a alegoria da caverna, não se deve confiar nos sentidos, pois eles enganam, e a partir do momento que o prisioneiro é libertado da condição de espectador das sombras e vislumbra a luz, ele questiona sua realidade, ou seja, as informações recebidas por ele. Portanto, em consonância à ideia do filósofo grego, o senso crítico, o qual é vetor de questionamento da realidade, está intrinsecamente relacionado à verificação de notícias. No entanto, infelizmente, o desenvolvimento da criticidade ainda é precário no Brasil, e informações absurdas - como a da vacina - se espalham e prejudicam, de uma forma imensurável, a vida de muitos brasileiros.

Por outro lado, o consumo rápido e desenfreado de informações concomitante à Indústria Cultural nos meios de divulgação das notícias perpetuam as “fake news”. Nesse aspecto, a informação se tornou uma mercadoria, a qual é consumida por uma sociedade ansiosa e acrítica, com o objetivo de obter o máximo de informação no menor tempo possível. Haja vista que, de acordo com Adorno e Hockeimer, a Indústria Cultural visa apenas o lucro, em detrimento da criticidade, as notícias são produzidas em larga escala e sem comprometimento com a verdade e, como consequência, sem comprometimento com a sociedade.

Destarte, é inegável a necessidade de medidas interventivas. À vista disso, cabe às escolas de nível fundamental e médio, com apoio do Ministério da Educação, organizarem palestras e aulas que retratem o tema e ensinem como verificar a veracidade das notícias nas redes sociais, a fim de fomentar o senso crítico precocemente nos brasileiros e evitar o espalhamento de notícias absurdas. Ademais, o governo deve promover campanhas contra o consumismo informacional nas redes sociais, com o objetivo de reduzir os prejuízos das informações falsas. Assim, com essas medidas, os perigos das “fake news” serão confrontados na era informacional.