Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 15/10/2018

No ano de 2014, em uma cena que remete à Idade Média, uma mulher foi espancada até a morte por moradores de Guarujá-SP, após ser acusada de sequestro de crianças e de bruxaria. Além do assassinato, outro fato chamou a atenção: a acusação foi feita em página do Facebook. Esse fato é mais um exemplo das chamadas “fake news” e demonstra como a internet deu escala às notícias falsas, as quais, visto sua capacidade de disseminação e seu poder de influência, representam uma verdadeira ameaça à estabilidade de uma sociedade democrática.

Primeiramente, deve-se pontuar que a veiculação de notícias falsas não é uma novidade do século XXI, o que se faz novo é o poder de propagação que a internet deu à informação, alterando o espaço do jornalismo tradicional. Isso é corroborado pela pesquisa do Instituto Reuters, de 2016, a qual concluiu que mais de 70% das pessoas utilizam as redes sociais como fonte de notícias. Consequentemente, por conta da fiscalização baixa ou mesmo inviável (como é o caso de grupos de WhatsApp), boatos falsos são constantemente veiculados à população, visando interesses políticos específicos e alterando a sua percepção da realidade.

Além disso, é notório que o despreparo da população contribui significativamente para a disseminação das fake news. Conforme corrobora o sociólogo italiano Domenico de Masi, a geração atual vivencia transformações jamais vistas na história humana – por conta da globalização e das novas tecnologias –, mas a escola não tem acompanhado essas mudanças. Apesar de constatado o perigo que as fake news representam na atualidade, não há uma abordagem clara desse tema no ensino básico brasileiro, que deveria preparar os alunos para a realidade que os cerca. Assim, indivíduos pouco críticos quanto à importância de checar a veracidade das informações se tornam massa de manobra a interesses alheios.

Frente à esse quadro, é evidente a urgência de ações que busquem inibir a criação e difusão de notícias falsas no Brasil. Para tanto, é fundamental que as escolas, por meio de palestras e atividades lúdicas, desenvolvam a temática das fake news com os alunos, a fim de conscientizá-los sobre a importância da análise crítica das notícias e de formar cidadãos que saibam reconhecer a realidade que os cerca, inibindo a manipulação e a alienação por meio de falsos boatos. Ademais, os veículos de imprensa poderiam se unir no combate às fake news, checando notícias falsas que circundam a internet, de maneira a desmentir quaisquer boatos enganosos e orientar a população sobre como identificar esse tipo de informação.