Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 15/10/2018
As cinzas diárias da sociedade
Conforme o geógrafo David Harvey, a globalização comprimiu o espaço e o tempo, uma vez que os indivíduos encontram-se, crescentemente, interligados entre si, bem como em relação à circulação de mercadorias, bens de consumo, comunicação e informação. Esses quesitos são importantes fontes da propagação de notícias, sejam elas verdadeiras ou falsas. Na atual conjuntura vigente, tornou-se frequente o encontro com as “fake news”, ou seja, as errôneas informações sobre a realidade, tanto no âmbito econômico e político quanto no social.
A eleição presidencial do ano de 2018 é um exemplo de tais atos cometidos e propagados. A candidata à vice-presidência, Manuela D’ Ávila, foi uma vítima da difusão de falsas notícias a respeito de seus discursos e propostas de governo. Da mesma maneira, que inúmeras figuras midiáticas e públicas são expostas ilusoriamente na sociedade. As redes sociais e os “blogs” são chaves secretas para a disseminação das “fake news”, pois a propagação ocorre de forma quase instantânea que torna-se incerto a notificação do principal agente causador e, atribuir à ele, as devidas consequências e punições.
Segundo o pensamento de servidão voluntária do filósofo Étienne de La Boétie, os costumes e as regras são criados a fim de que sejam adotados e, posteriormente, neutralizados pela sociedade. É notório que o mesmo ocorre nos fatos supracitados. Uma vez que as notícias errôneas são realizadas, semeadas e dispersas na população, tornando-as usuais e anuladas. Deste modo, transfiguram-se em apenas cinzas diárias no meio social.
Em tempos de modernidade líquida, teoria criada pelo sociólogo Zygmunt Bauman, na qual as relações e os vínculos são fluídos, pode-se afirmar que esses ocorrem, essencialmente, pelas vertiginosas ondas de comunicações e informações. Em razão de tudo apresentar-se em intensa velocidade e superficialidade, acarreta-se ainda no espalhamento de notícias falsas. Portanto, como é possível criar fortes laços interpessoais se não há a simples confiança em uma notícia?
Em vista da atual conjuntura social vigente, torna-se necessário a tomada de algumas medidas para a modificação deste quadro. O Ministério da Educação deve fomentar nas escolas o ensino digital para crianças e adolescentes, através de aulas de informática, ética e segurança digital. O Poder Legislativo e Executivo devem criar leis para as devidas providências aos casos de “fake news”, bem como a busca assídua pelos causadores. As redes sociais, por serem o caminho para essa difusão, podem criar um programa que detecte o agente e as demais pessoas que colaborem para as tais notícias.