Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 18/10/2018
Os perigos sociais das “fake news” na era digital representa um dos maiores problemas da contemporaneidade. Essa realidade, por conseguinte, além de comprometer o convívio social harmonioso, reflete as insatisfatórias ações de combate dessa prática pelo governo e por setores da sociedade civil. Nesse contexto, tal veracidade suscita um esforço mais eficaz no âmbito sociopolítico, com objetivo de prevenir e combater essa ação retrógrada e abjeta no País.
Em primeiro plano, consoante a obra “leviatã”, no início século XVII, proposta por Thomas Hobbes, a função primordial do Estado é a segurança e o bem-estar social. Entretanto, mais de quatro séculos após essa teoria filosófica, ao observar os efeitos negativos das notícias falsas, é notória a dificuldade da sociedade brasileira em seguir essa ideia contratualista. Isso porque, mesmo com a existência de dispositivos jurídicos que assegurem os direitos básicos e visem à harmonia no meio social e virtual, como a Constituição em vigor e o Marco Civil da Internet, nota-se a dificuldade do poder público em concretizar tais prerrogativas. Prova disso são as notícias do site “G1”, as quais mostram inúmeras mortes de pessoas vítimas de boatos nas redes sociais. Essa indigesta veracidade, lamentavelmente, fere os direitos humanos e descumpre os princípios básicos da carta Magna brasileira.
Outrossim, ressalta-se, ainda, que, na formação cultural de muitos indivíduos, não há o estímulo suficiente em prol do entendimento das causas e efeitos dessas notícias desleais . Além disso, é válido destacar que a propagação de notícias falsas não é inerente ao mundo hodierno, uma vez que, no início do século XVIII, o jornal “Cannards”, na França, já produziam os boatos com objetivo do lucro. Dessa maneira, a carência da discussão sobre as fake news atrelado aos frutos do capitalismo exacerbado, contribuem para a manutenção dessa prática no meio social. Essa concepção dialoga com a teoria “habitus”, do sociólogo Pierre Bourdieu, a qual afirmava a capacidade da sociedade naturalizar ações do corpo social e reproduzi-las ao longo das gerações.
Nesse sentido, é necessário que o Poder Público intensifique a eficácia do Marco civil da internet, por meio de parcerias público-privada, e crie delegacias virtuais especializadas no combate às notícias incorretas, com o objetivo de reduzir os efeitos negativos da propagação de boatos. Ademais, é imprescindível que as instituições sociais promovam, por meio das redes sociais e nos ambientes de ensino, debates acerca do assunto e mostrar medidas de identificação e meios para denúncias dessa ação vil, com o intuito de garantir o bem-estar e a segurança da população no mundo real e virtual, bem como assegura a Constituição vigente e o contrato social de Thomas Hobbes.