Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 20/10/2018
O desafio das instituições na era pós-verdade
“Fake news” ou “Hoax” são termos usados para designar notícias propagadas pela internet com conteúdo falso, muitas vezes divulgadas com mensagens que fomentam preconceito, medo e até mesmo para prejudicar um adversário político. Nesse contexto, os principais veículos de informação, como canais de televisão e mídias impressas deixam de ser protagonistas como argumento de autoridade e passam a serem vistas com desconfiança também pela população. Ademais, essas notícias falsas pode também por em risco a saúde e vida de pessoas. Por isso, faz necessário medidas rígidas para punir seus disseminadores, mas também é preciso uma nova abordagem da mídia e outras instituições para resgatar a credibilidade da sociedade.
Nesse viés, as eleições presidenciais em 2016 nos Estados Unidos conheceram uma onda de notícias falsas transmitidas em redes sociais na internet com a intenção de caluniar e afetar a campanha da candidata Hilary Clinton. Foi notório que a maior parte dessas mensagens eram divulgadas por grupos de extrema direita, ou seja, associações contrárias às políticas progressistas e aos direitos civis de minorias, como afrodescendentes, latinos e homossexuais. Durante o III Reich, na Alemanha nazista, isto também foi vivenciado, gerado pelo ministro da propaganda Joseph Goebbels, em suas palavras: “Uma mentira contada mil vezes torna-se uma verdade”, na época contra judeus.
Nesse ínterim, a pós-verdade, isto é, a verdade inventada e propagada com intenções maliciosas é um sintoma da liquidez na pós-modernidade, como conceituou o sociólogo Zygmunt Bauman. Assim sendo, a confiança da população que antes tinha a autoridade do especialista como fundamental, agora passa a desacreditar nas instituições oficiais e nos seus argumentos. Dessa forma, a corrente de notícias falsas ganhou um terreno fértil, e além disso, transformou-se em um perigo para a saúde pública, como exemplo as mentiras sobre vacinação e doenças infectocontagiosas.
Diante do exposto, é preciso atenção para era pós-verdade das instituições como a grande mídia, a comunidade científica e o Estado. Outrossim, é preciso uma comunicação dessas com a população de maneira transparente e com linguagem flexível para que esses atentem para identificar uma notícia falsa. Essa conscientização pode ser feita por meio de canais na internet, redes sociais e televisão. É imprescindível resgatar a credibilidade da sociedade. Depois disso, é essencial que os divulgadores desses boatos sejam penalizados na esfera judiciária para restringir essa disseminação, e também punir pessoas que publicam mensagens de ódio a minoria, em uma ação conjunta do Estado com as empresas de redes sociais, e dessa maneira garantir o artigo 5° da Constituição Federal de 1988.