Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 19/10/2018

Mesmo não sendo um fenômeno novo - o dicionário Merriam-Webster afirma que o termo é usado desde o séc. XIX - as fake news ganharam força com o advento da internet. Propagando mentiras, elas colocam em risco a integridade social, bem como os processos democráticos, visto que são também usadas na disseminação de ideologias partidárias.

Inicialmente, tem-se a pesquisa do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, a qual afirma que notícias falsas tem 70% a mais de chance de compartilhamento se comparadas a uma verdadeira. Neste contexto, vale a reflexão da frase creditada a Joseph Goebbels, ministro de propaganda de Hitler, que diz “uma mentira dita mil vezes torna-se verdade”, ou seja, quanto mais uma fake news é replicada, mais pessoas estarão suscetíveis a acreditar nela. Logo, observa-se que a opinião pública pode vir a ser facilmente manipulada sobre determinado assunto dependendo tanto do agente que distribui a noticia quanto do conteúdo da mesma.

Além disso, as inverdades afetam os rumos eleitorais como um todo quando usadas como ferramentas de reprodução de filosofias partidárias. Neste caso, é possível citar o ocorrido nas eleições americanas, quando o candidato eleito, Donald Trump, foi acusado de fomentar fake news que o tenham beneficiado na campanha. Por estes motivos, Jason Stanley alerta, em seu livro “How Fascism Works”, que o promovimento de mentiras por parte de partidos políticos, como também de seus seguidores, caracterizam medidas tomadas na aplicação de governos ditatoriais. Isso demonstra que o uso de tais meios podem afetar diretamente os pilares da democracia.

Diante do exposto, conclui-se ser imprescindível uma educação coletiva quanto a análise de informações, por meio da divulgação, principalmente pela mídia, da necessidade de se comparar fontes, além de questionar o autor e o conteúdo da notícia. Incentivar o uso de portais que checam notícias, como o E-farsas ou Lupa, também pode surtir favorável efeito. Outra medida pode ser os responsáveis por redes sociais limitarem o número de pessoas a se compartilhar uma mensagem. Ademais, o Estado também deve abranger a legislação que pune tal atitude para o ramo da internet, além de investigar, através do Ministério Público, as empresas, partidos políticos ou qualquer grupo que venha a se utilizar esses métodos em benefício próprio.