Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 23/10/2018

As “fake news” são informações falsas disseminadas pela mídia a fim de gerar lucro por meio das visualizações ou de difamar uma empresa ou figura pública. Ao contrário do que muitos pensam, as “fake news” fazem parte da nossa sociedade há muito tempo. Durante os regimes autoritários no início do século XX, como o nazismo, o fascismo e o Estado Novo no Brasil, a propaganda e a imprensa tiveram papel importante no fortalecimento de tais governos, inclusive por meio da disseminação de notícias falsas. Atualmente, com a globalização e com o grande fluxo de informações veiculadas pela mídia, torna-se cada vez mais difícil a distinção entre as notícias verdadeiras e as falsas.

Muitas vezes, essas “fake news” são usadas como instrumento de manipulação e difamação, principalmente no que diz respeito a questões políticas. O uso de títulos falsos e informações de caráter sensacionalista são usados para gerar interesse no público e aumentar as visualizações e seu poder de influência. Isso sem contar que as notícias falsas se espalham 70% mais rápidas do que as notícias verdadeiras. Dessa forma, conforme Joseph Goebbels, ministro de propaganda de Adolph Hitler, “uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”.

Por outro lado, apesar de não existirem leis específicas acerca da criação e compartilhamento de notícias falsas no Brasil, a calúnia, a difamação e a injúria são considerados crimes de honra conforme o Código Penal brasileiro. No entanto, é muito difícil identificar todos os envolvidos na disseminação de uma “fake news” devido ao anonimato gerado pela internet. Além disso, cerca de 96% das notícias falsas são compartilhadas pelo whatsapp, o que dificulta ainda mais a identificação dos culpados.

Logo, é importante que o poder legislativo crie um código de leis que possibilite a verificação e a fiscalização da veracidade das informações compartilhadas na internet, a fim de impedir a propagação da desinformação para a sociedade. Já o poder executivo deve ser responsável por garantir a aplicação das leis e das punições aos envolvidos, acabando com a sensação de impunidade gerada pelo anonimato das redes sociais. A mídia e as instituições de ensino, por sua vez, devem criar campanhas e palestras que ensinem os métodos para verificar a veracidade das notícias obtidas pela internet, aguçando o senso crítico dos indivíduos.