Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 23/10/2018

Como demonstra a historiografia, após a revolução cognitiva, o conhecimento passou a simbolizar uma ferramenta de poder e controle, tanto para fatores de ordem sociais, como para aqueles de ordem naturais. Em consonância, na Grécia antiga, os grupos que estavam ligados ao poder vigente, geralmente utilizavam de sua erudição e práticas sofísticas como um mecanismo a fim de perpetuá-los nas suas posições de dominância, arregimentando e restringindo para tal, saberes que os permitiam alçar uma eminência econômica e política perante a população. De maneira análoga, por mais que o conhecimento se encontre mais irrestrito do que outrora, no Brasil, percebe-se uma perspectiva semelhante aos helenos, pois, embora tenhamos uma sociedade mais erudita do que a dos antigos gregos, há fatores de manipulação, como as “fake news”, que influenciam o tecido social, levando-o a tomar decisões que nem sempre favoreçam ao bem comum, mas apenas aos grupos de interesses.

O que corrobora essa realidade, é a recente eleição à presidência norte-americana, que em meio a manipulação e notícias falsas, provenientes de organizações abrasivas a retórica ‘Trumpista’, engendraram a candidatura do presidenciável D. Trump, através do repúdio e desdém a sua competidora, H. Clinton. Demonstrando assim, através desse evento, o poder que tal artifício apresenta, ilustrando que com o seu usufruto, o cerne da estrutura político-social do ocidente, que é a democracia, pode ser facilmente manipulado e suplantado.

Do mesmo modo, outro dado alarmante acerca dessa questão, é a recente pesquisa realizada sobre os usuários de Internet, que constatou que cerca de 80% dos que utilizam a rede, acreditam naquilo que leem, e boa parte desses, sequer chegam a checar as respectivas fontes do meio pelo qual estão contraindo aquela informação. E quando tal contexto alinha-se com o advento dos “bots”; programas de computador que simulam uma pessoa automática, isto é, emitem nas redes sociais falsas mensagens constantes com a finalidade de angariar o maior número de pessoas e desinformá-las, pode trazer fomento a uma perspectiva em que boa parte da população brasileira se encontre alienada e imersa em informes pouco verossímeis.

Com efeito, como a informação verossímil é elementar para a concretização das aspirações, posicionamentos políticos e decisões socioeconômicas que perpassam a população brasileira, cabe aos governos federais, sobretudo o Ministério Público e o Ministério da educação, prover o ensino sobre como identificar a falsidade de um dado noticiário, fomentar uma maior criticidade dos estudantes e seus lecionadores e repreender, através do código penal, pessoas que exerçam tal atividade.  Dessa maneira, podemos promover uma maior lisura tanto a estrutura democrática, quanto societal.