Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 24/10/2018

A obra “Dom Casmurro”, do autor Machado de Assis, narra a história de uma suposta traição, apresentando informações unilaterais e sem provas concretas. De maneira análoga, a propagação de notícias tendenciosas e, por muitas vezes, falsas é algo bastante recorrente na sociedade contemporânea. Nesse contexto, deve-se analisar como a escassez de criticidade do corpo social e interesses político-econômicos contribuem para agravar a questão das fakes news no Brasil.

Em primeira análise, é importante destacar que a falta de consciência crítica gera um paradoxo: a desinformação causada pela informação. Na contemporaneidade, marcada pelo volume e pela rapidez das notícias, o excesso de conteúdo e a falta de tempo faz com que muitos indivíduos sintam-se perdidos frente ao mar de informações que estão rodeados. Dessa forma, para absorver uma grande quantidade de notícias, diversas pessoas acabam lendo somente as manchetes que, não raro, são bastante tendenciosas. Consequentemente, essa deficiência de senso crítico para filtrar informes relevantes e verdadeiros cria um ambiente favorável à disseminação de falácias, no qual os oportunistas aproveitam para difamar, ganhar audiência ou obter lucro com as visualizações, por exemplo.

Outro fator importante de se ressaltar é que há interesses políticos e econômicos por trás das fakes news. Segundo o filósofo Michel Foucault, todo discurso é político, é parcial. Nessa perspectiva, os boatos são um meio de manipulação de massas, em que uma determinada classe social induz a sociedade a acreditar no que lhe for conveniente, servindo assim como um instrumento de poder. E como estamos vivendo na era da pós verdade, em que emoções e convicções pessoais passam a ter mais importância que os fatos objetivos, isso é uma grande vantagem para beneficiar certas pessoas e acentuar o controle social.

Diante desses impasses, necessita-se, urgentemente, que a escola, instituição responsável por formar cidadãos críticos, em parceria com ONGs, estimulem o indivíduo a ficar mais esperto e a averiguar as informações recebidas. Tal proposta deve ser concretizada por meio de incentivos à leitura, sobretudo da literatura, que além de proporcionar conhecimento estimula a criticidade, e também de debates e aulas sobre análise do discurso, a fim de fazer com que o indivíduo saiba interpretar e formar o seu conhecimento. Dessa maneira, com o leitor mais atento e crítico, é possível minimizar a disseminação de inverdades.