Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 02/11/2018
Mentira fatal
O escritor Victor Hugo disse que, “as palavras têm a leveza do vento e a força da tempestade”. Essa máxima pode ser aplicada aos efeitos devastadores do alastramento de Fake News nas diversas mídias. Nesse contexto, um projeto de lei tramita no congresso para tornar crime a divulgação e compartilhamento das inverdades, no Brasil. Importa considerar que, devido ao excesso de informações, a internet é um ambiente propício para o sucesso desse tipo de conteúdo. Porém, as notícias falsas podem causar danos irreparáveis a indivíduos e organizações.
Em princípio, a superficialidade das redes sociais, aliada a uma linguagem apelativa usada pelos criadores, são fatores que contribuem para viralização das meias verdades. Conforme estudo divulgado no site A Folha de São Paulo, a chance de uma notícia falsa ser repassa é 70% maior do que de uma verdadeira. Nessa conjuntura, vale ressaltar que a falsidade se relaciona a uma visão enviesada e sensacionalista, e não, necessariamente, a uma mentira completa. Tal máxima é retratada no livro Dom Casmurro, de Machado de Assis, no qual é mostrado apenas a visão de Bentinho, em relação à traição de Capitu, sem margem para a defesa desta. Assim, para obter maior credibilidade e lucro, os produtores de fake News apelam para falácias que vão ao encontro das crenças pessoais dos seus interlocutores. Por conseguinte, essas inverdades geram prejuízos tanto individuais, quanto coletivos. Um caso divulgado no site G1, em 2014, foi o da dona de casa espancada até a morte, após a divulgação de boatos nas redes sociais, sobre seu envolvimento com o sequestro de crianças para rituais de magia negra. Esse é apenas um dos inúmeros exemplos do perigo envolvido na malícia dos criadores e na ausência de senso crítico das pessoas. Além disso, as eleições nos Estados Unidos, em 2016, tiveram forte influência das pós-verdades, tanto que esse termo foi eleito como a palavra do ano, pelo dicionário Oxford. No período eleitoral do Brasil, em 2018, não foi diferente. Esses fatos mostram que apesar dos alertas, urge ainda, uma maior educação social para o tema.
Deve-se, portanto, adotar mecanismos para combater a criação e difusão das Fake News, a fim de evitar suas consequências. Cabe ao Poder Legislativo, por meio da câmara dos deputados, aprovar com urgência a lei que criminaliza a disseminação de inverdades, com o objetivo de alertar a população para a necessidade de analisar com cuidado o que é divulgado na internet. Já a mídia, devido ao seu papel formador de opinião, deve mostrar em seus programas de maior audiência os passos para avaliar a veracidade de uma notícia, com o fito de desenvolver a visão crítica da população. Assim, será possível combater o poder devastador das falsas palavras.