Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 29/10/2018

No contexto das eleições de 1938, o governo Vargas difundiu na mídia um documento, denominado Plano Cohen, que, supostamente, arquitetava a tomada do poder pelos comunistas. Desta forma, o cenário tornou-se favorável para o golpe varguista. Embora esse evento date quase um século, a propagação de “fake news” cresce exponencialmente, sobretudo, após o advento da Internet. Com efeito, os perigos das informações falsas estão em seu potencial de manipulação social, e, denegrir a imagem de inocentes.

Em primeira instância, é fundamental salientar que, notícias sensacionalistas são um entrave para a democracia, uma vez que, estas objetivam influenciar a opinião da massa. De acordo com o filosofo Michel Foucault, “toda linguagem é dotada de ideologia”. Sendo assim, a função apelativa da língua, típica de manchetes e anúncios sensacionalistas nas redes sociais, serve como um discurso de controle simbólico, pois, tem como intuito manipular a opinião pública, geralmente, a respeito de interesses coletivos e sociais.

Outrossim, vale destacar que, o compartilhamento de informes não verificadas tem, por conseguinte, potencial de destruir vidas. Posto que, na era digital, ninguém detêm o monopólio da divulgação de informações,  qualquer pessoa pode difundir manchetes de acordo com seus objetivos. Como ocorreu no caso Fabiane de Jesus, moradora do Guarujá, que, em 2014, foi linchada até a morte por vizinhos ao ser confundida com uma sequestradora de crianças, cuja imagem circulou pela Internet. Assim como ela, muitos, anônimos ou não, têm sua dignididade prejudicada por conta de informações não verídicas.

Logo, cabe à escola aprimorar suas práticas pedagógicas socioemocionais, por meio de aulas teatrais previstas na Base Nacional Comum Curricular, que valorizem os conceitos de cidadania, empatia, respeito, e, ensinem métodos de verificar a veracidade de manchetes.  Essas medidas têm como fim mitigar a proliferação de “fake news” a partir da comunidade escolas. Dessa maneira, os Planos Cohen’s contemporâneos não possuiriam voz frente ao seu combate.