Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 26/10/2018
Um dos artifícios utilizados por Getúlio Vargas para garantir sua reeleição e a posterior implantação de uma ditadura no Brasil em 1945 foi o Plano Cohen, cuja artimanha consistia em divulgar informações deturpadas sobre o candidato oponente, a fim de conseguir votos da população através do medo comunista. Apesar de tal prática nefasta assumir configuração diferenciada na sociedade hodierna por causa do fenômeno da internet, as fake news ainda são um problema na medida em que ferem os preceitos constitucionais e alimentam a indústria dos cliques. Com efeito, um diálogo entre sociedade e Estado é medida que se impõe.
Em primeira análise, cabe ressaltar o caráter dicotômico da Constituição brasileira. Isso porque, mesmo explicitado na Carta Magna do país que a livre manifestação do pensamento é direito básico e inerente a todos, a mesma assegura a proteção dos valores individuais do cidadão, como a intimidade e a privacidade. Entretanto, muitos indivíduos parecem levar em conta apenas o primeiro preceito constitucional, uma vez que se utilizam do vasto horizonte da internet para difamar tanto pessoas físicas quanto jurídicas, através da divulgação de conteúdo não hígido e verossímil.
Torna-se notório, consequentemente, que a única beneficiada do processo é a indústria dos cliques. Tal conceito designa instituições online que transformam cliques em dinheiro, através da produção e da disseminação de fake news. Destarte, não só corroboram para o corrompimento do fazer jornalístico e o compromisso com a verdade, mas colocam a vida de pessoas em risco. Por exemplo, em 2014 a divulgação de uma inverdade sobre a paulista Fabiane Maria de Jesus, vinculando-a a prática de magia negra com crianças, fez com que os moradores a espancassem até a morte.
Urge, portanto, que a tríade governo, mídia e sociedade cooperem para mitigar os efeitos das fake news. É imprescindível que o governo atue juntamente com órgãos reguladores de mídias sociais, a fim de desenvolver mecanismos que visem identificar usuários que proliferem notícias falsas sobre terceiros, de modo a promover o banimento do uso da rede social, além da devida punição judicial. Outrossim, cabe ao Ministério da Educação promover palestras, mesas redondas, workshops, etc. de cunho educativo que objetivem desenvolver o pensamento crítico da população, através da educação digital sobre como identificar e denunciar as fake news. Só assim poderemos nos desvencilhar desta herança Getulista e construir um futuro compromissado com a verdade.