Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 01/11/2018

“Phármakon” foi um termo utilizado, na Grécia Antiga, para designar remédios que, de forma benéfica ou não, manipulavam bioquimicamente os indivíduos. Platão aplicou esse conceito no discurso e na fala para demonstrar que ambos também interferem, de forma manipuladora, no corpo social. Na era da informação, a comunicação através das “fake news” (notícias falsas) é o novo fármaco, que age de maneira negativa e perigosa na sociedade brasileira do século XXI.

Em primeiro plano, é necessário analisar o papel da mídia acerca do tema. O avanço da tecnologia permitiu que inúmeros meios de comunicação fossem criados e, com isso, uma maior possibilidade de divulgar informações e notícias entre as pessoas. As redes sociais, por exemplo, como o Facebook, Twitter ou WhatsApp, são muito utilizados, no país, para proporcionar uma ampla comunicabilidade. No entanto, com o excesso de informações, a veracidade de seu conteúdo passou a ser menos buscada, fazendo com que as “fake news” ganhassem maior visibilidade, manipulando e trazendo consigo consequências negativas para a população. Esse caráter nocivo dos boatos pode ser observado nos linchamentos, motivados por justiça com as próprias mãos, de pessoas inocentes, que são vítimas dessa mazela, demonstrando, portanto, o alto teor de perigo das “fake news” na era da informação.

Paralelamente, a falha educacional é outro fator influenciador da problemática. O filósofo iluminista, Immanuel Kant, aborda o conceito de “Esclarecimento”, o qual o indivíduo atinge quando se serve do próprio entendimento, sem direcionamento alheio. Dessa forma, faz-se necessário que a formação de pensamento crítico seja estimulado, nas escolas, para construção de cidadãos conscientes, promover sua saída da “Menoridade”, em que ainda é existente a manipulação, e chegada ao “Esclarecimento”. No entanto, o ensino padronizado e conteudista, no Brasil, faz com que os jovens não criem esse hábito e aceitem, de forma passiva, o que é passado, ensinado e divulgado à eles. Desse modo, as “fake news” se instalam perigosamente e carregam uma massa alienada que não busca saber da veracidade das notícias e das informações divulgadas.

À luz do exposto, é possível concluir que as “fake news”, na era da informação, se tornaram uma mazela social, trazendo consigo um alto grau de perigo. Para que a problemática seja solucionada, é importante que o Governo Federal auxilie na verificação da veracidade das notícias, através da criação de um aplicativo para celulares, tabletes ou computadores, que confira a confiabilidade das fontes, a fim de diminuir a disseminação das mesmas. Ademais, o Ministério da Educação (MEC) deve incentivar a formação de pensamento crítico dos jovens por meio da implementação de mais aulas de filosofia e sociologia nas escolas, e, assim, formarem cidadãos capazes de discernir o real do falso.