Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 27/10/2018

Lima Barreto, em sua obra “Triste fim de Policarpo Quaresma”, retrata a história de Policarpo, um funcionário público que acreditava que o Brasil, caso superasse alguns obstáculos, projetar-se-ia ao patamar de nação desenvolvida. Nessa perspectiva, o atua panorama brasileiro, no que  tange ao cenário de interação entre a sociedade e a tecnologia, apresenta entraves a serem superados pelo país. Nesse contexto, evidencia-se o descuido da população quanto à veracidade das informações compartilhadas, bem como as implicações intrínsecas a essas.

O filósofo italiano Antonio Gramsci afirmou que é importante que os produtores de conteúdo tenham consciência das informações que transmitem para o mundo, visto que elas podem influenciar no comportamento humano. Sob essa perspectiva, vê-se a procedência de algumas de algumas empresas virtuais, como blogs e sites de entretenimento, na divulgação de fake news com o objetivo de denegrir a imagem de pessoas públicas, aumentar a visibilidade da página ou utilizar essas informações para exercer influência sob decisões políticas. A despreocupação da sociedade em pesquisar a veracidade dos fatos compartilhados, corrobora para o alastramento de falsas notícias que, dependendo do conteúdo, podem exercer influência negativa na sociedade.

Outrossim, não se pode infringir o que consta na Constituição Federa, a qual assegura liberdade de expressão aos indivíduos. No entanto, as fake news devem receber atenção especial à medida em que podem ocasionar consequências negativas para outrem. Caso ocorrido na cidade de Guarujá, em 2014, quando uma mulher foi brutalmente assassinada pela população local após ter sido alvo de boatos que acusavam-na de praticar magia negra com crianças. Segundo o filósofo Michel Focault, atuar na prevenção de determinados atos é basilar para que se evite a punição. A frase do filósofo demonstra a necessidade de intervenção governamental a fim de evitar futuros danos à vida de outros indivíduos.

Logo, é necessário que o Governo Federal, em parceria com estudantes de cursos voltados para o setor tecnológico, forneça a estes o suporte adequado para o desenvolvimento de um programa que identifique notícias falsas e evite sua propagação, com o fito de gerar mais segurança no ambiente virtual. Por fim, o Ministério da Educação, com o auxílio de aparatos midiáticos, deve elaborar campanhas que instruam a população com formas de identificar e evitar o compartilhamento de informações não confiáveis.  Dessa forma, se tomadas tais medidas, quiçá o Brasil projetar-se-á ao patamar de nação desenvolvida.