Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 27/10/2018

Há alguns alguns anos, o caso da Bruxa do Guarujá ganhou atenção nacional. Moradores desse bairro lincharam uma mulher - inocente -, pois acreditavam que ela era um sequestradora de crianças, graças a uma corrente de notícias - posteriormente provada falsa - espalhada nas redes sociais. Essa situação, assim como outras que já ocorreram no mundo todo, servem para nos alertar quanto ao perigo das “fake news” (notícias falsas). Esse fenômeno, por sua vez, ganha força por conta de um empoderamento não acompanhado de uma efetiva educação somado à ineficiência da Justiça.

Ter dado poder às grandes massas sem, de fato, instruí-las sobre como saber utilizá-lo pode ser considerado um dos propulsores para tal conjuntura. Uma vez que o Brasil ostenta um alto índice de analfabetismo e as piores colocações nos rankings mundiais de educação, o que vemos são brasileiros dotados de pouco senso crítico. Aliado a isso, há o fato de que as mídias sociais atuam na “atrofia do imaginação”, como apontado pelo filósofo Horkheimer. Assim, o resultado só poderia ser uma sociedade que não sabe fazer uso dessas mídicas com a prudência necessária, servindo de massa de manobra para grupos pouco compromissados com a verdade.

Além disso, a pouca eficácia do Poder Judiciário no combate às “fake news” configura-se como outro impasse. Dado o fato que ainda contamos com poucas delegacias de crimes virtuais e que a impunidade está historicamente arraigada na nossa cultura, o que se concretiza é a banalização de notícias que caluniam e prejudicam a vida de muitos cidadãos - como no caso da Bruxa do Guarujá. Ademais, podemos verificar essa sensação de esvaziamento de poder na expressão bastante usada: “a internet é terra sem lei”.

Portanto, na tentativa de evitar situações semelhantes ao ocorrido supracitado, faz-se necessário a adoção de medidas. Logo, é fundamental que o Ministério da Educação fomente a discussão e a formação de um senso crítico nos estudantes, bem como atue na orientação quanto ao uso das novas tecnologias. Esse fim pode ser atingido através da reestruturação do nosso currículo nacional - preferenciando disciplinas como História, Sociologia e Filosofia - e da criança de núcleos de apoio para as escolas com profissionais capacitados para a melhor orientação possível. Dessa forma, atingiríamos a principal finalidade: formar uma sociedade que saiba utilizar os meios de comunicação com prudência, reconhecendo notícias falsas e evitando sua propagação. Por fim, a criação e o fortalecimento das delegacias que combatem as “fake news” é válida.