Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 06/11/2018

Em 1564, o rei Felipe II da Espanha, o homem mais poderoso do mundo na época, foi alvo de boatos. Notícias sobre a suposta morte dele forma espalhadas pela Europa, representando uma ameaça ao reinado espanhol. Atualmente, as notícias distorcidas ganharam uma nova denominação e velocidade: as chamadas “fake news”. Na era da informação, os boatos, produzidos intencionalmente, têm provocado polarizações na esfera política e, além disso, são responsáveis por danos irreversíveis na vida de muitas pessoas.

O primeiro aspecto a ser ressaltado é o grande antagonismo político alimentado pelas notícias falsas nas redes. Segundo o pesquisador de ciências políticas Jason Reifler, quando uma pessoa tem ideologias muito fortes, as novas informações, sejam falsas ou não, somente ajudam a refletir sobre os argumentos favoráveis a própria visão. Ou seja, o papel das “fake news” é justamente esse, manter as pessoas nas bolhas de ideias, prejudicando o diálogo sem troca de informações enriquecedoras. Assim, um dos perigos dessa nova prática informacional é a crescente oposição de ideologias políticas, que por sua vez, gera intolerância e conflitos entre os cidadãos e as instituições.

Além disso, deve-se destacar o risco à segurança e integridade física e moral de pessoas vítimas de notícias maldosas. Exemplo disso, foi o caso ocorrido, em São Paulo, com Fabiane de Jesus, vítima de um linchamento após circularem boatos em uma rede social de que ela havia cometido um crime. Esse caso serviu de motivação para a elaboração do projeto de lei que visa incluir um artigo na lei nº 9.503, tipificando a conduta de publicar ou compartilhar, por meio de qualquer rede social, conteúdo que incite a prática de crime ou violência. Sendo assim, é importante que não somente os usuários, mas também empresas, como o Facebook e o Twitter, sejam responsabilizadas por evitar que “fake news” ameacem a vida das pessoas.

Diante dessa problemática, é importante que a imprensa nacional, de modo geral, comprometa-se  com a checagem constante das informações que circulam na internet, expondo e divulgando o resultado dessas verificações, por meio de colunas semanais e canais de comunicação direta com os leitores, visando aumentar o alcance dos fatos e o diálogo entre os cidadãos. Ademais, as empresas responsáveis pelas redes sociais devem contribuir com pesquisas científicas para desenvolver ferramentas que chequem o compartilhamento de notícias falsas, por intermédio do rastreamento do tópico na rede. O objetivo seria alertar e conscientizar os usuários sobre os riscos dessas notícias para todos. Assim, os perigos das “fake news” nos cenários político e civil serão amenizados.