Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 29/10/2018
Desde a Grécia Antiga os filósofos socráticos espalhavam falsas mensagens, pois priorizavam a persuasão em detrimento da veracidade dos fatos. De forma análoga, no Brasil contemporâneo, essa prática ocorre de modo sistemática. Logo, trata-se de um fenômeno perturbador que deve ser analisado e combatido, haja vista que fere o direito à informação garantidos pela Constituição Federal.
Deve-se pontuar, de início, que dados da Universidade de São Paulo apontam que as redes sociais são a maior fonte de notícias para os brasileiros. Nesse viés, o meio virtual tende a ser um grande disseminador de informações inverídicas. Desse modo, essa situação reflete a fluidez da “modernidade líquida”, proposta por Zygmunt Bauman, em que os eventos ocorrem de modo ágil e instantâneo. Diante desse contexto, muitos indivíduos tendem a repassar as mensagens recebidas sem refletir sobre elas. Assim, a população torna-se mais facilmente manipulável e suscetível aos conteúdos tendenciosos que podem ter um caráter difamador ou mesmo de interesse pessoal, como as propagandas com promessas ilusórias. Como efeito, há um amento da massa alienada.
Outrossim, a Terceira Revolução permitiu a democratização da tecnologia, possibilitando que indivíduos de diferentes níveis sociais, escolaridade e idade tivessem acesso aos meios digitais. Entretanto, esse avanço não veio acompanhado de uma educação virtual. Por conseguinte, muitas informações são repassadas sem serem submetidas a uma indagação e análise crítica dos fatos, defendida por Descartes como a dialética. Esse cenário pode ser evidenciado pelo portal de notícias G1, que mostrou uma matéria em que uma mulher foi espancada até a morte depois de ter seu nome e imagem associados ao boato de que ela sequestrava crianças para praticar magia negra. Dessa maneira, nota-se que as “Fake News” são um grave entrave para a harmonia social, podendo levar à morte e difamação de pessoas inocentes.
Portanto, para sanar a difusão das “Fake News” é preciso que o Governo invista em políticas públicas para o desenvolvimento de uma educação virtual. Para tanto, campanhas instrutivas serão divulgadas nas redes socais. Dessa forma, haverá a publicação de vídeos, imagens orientadoras e conferências “online”, no intuito de explanar para a sociedade sobre as possíveis consequências e formas de identificar os boatos. Essas medidas contribuirão para o aumento da responsabilidade cibernética, permitindo que as pessoas passem a verificar a fonte, pesquisar em outros sites e perguntar a um especialista sobre a informação recebida. Enfim, as notícias distorcidas assumirão menor proporção, favorecendo uma sociedade mais justa, igualitária e verdadeira.