Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 28/10/2018

Desde a Grécia Antiga, Sócrates criara e aplicara o conceito de Maiêutica, no qual se baseia no questionamento factual acerca de fatores políticos e sociais. No Brasil contemporâneo, entretanto, é perceptível a disseminação em larga escala das fake news, prática correspondente ao pensamento sofista da antiguidade e que , ademais, entra em choque com o método socrático, pois é pautado na verdade relativa e no benefício próprio. Por isso, deve-se debater sobre como o hipercapitalismo e a marca narcísica do cidadão implicam na perpetuação das práticas falaciosas.

A priori, o hipercapitalismo corrobora para a prática da problemática. Segundo uma pesquisa de cientistas do Instituto Tecnológico de Massachussetts, as notícias falsas se espalham 70% mais rápido que as verdadeiras e , além disso, três vezes mais veloz se relacionado a política. Isso é evidente sob a ótica da indústria de fake news que atua principalmente nas redes sociais - devido a larga escala de propagação - e cujo financiamento é maior no âmbito político. Ademais, há serviços para detração de marcas, empresas e pessoa jurídica e,  diante disso, é evidente que  o combate às falácias torna-se complexa devido a era da informação que dificilmente possibilita a reversibilidade de uma notícia já disseminada.

Outrossim, atrelado ao capitalismo contemporâneo, faz-se presente o fator egocêntrico no que tange ao compartilhamento de notícias falsas. O conceito de “Pós verdade” evidencia a característica narcisista do cidadão, pois fundamenta-se na leal crença e propagação de quaisquer tipo de notícias que satisfaça o interesse próprio, ou seja, que conflua com seus ideias, descartando a veracidade. Por conseguinte, muitos indivíduos compactuam com a indústria das fake news, alastrando de forma intensiva os conteúdos que alimentam o próprio ego e ,também, torna mordaz o conflito contra notícias infiéis ao real, fato afirmado por Arthur Schopenhauer, o qual descreve o egoísmo como motor do ser humano.

Urge, portanto, a necessidade de combate às detrações geradas pela prática corriqueira das fake news. Diante disso, a mídia, em consonância com profissionais de informática, deve organizar campanhas - via rádio, televisão e redes sociais - que ,por meio de textos referenciais, discorra sobre os perigos das fake news e , também, instrua como verificar a veracidade de uma informação digital. Além disso, faz-se necessário que o poder Executivo aprove projetos de leis que punam crimes virtuais, ainda não presente no código penal, a fim de enquadrar, multar e acabar com empresas,grupos e pessoas envolvidas na venda e financiamento das notícias tendenciosas que circundam e aliciam os internautas. Essas medidas, portanto, podem integrar a era da informação com os preceitos socráticos.