Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 30/10/2018

“Penso que cegamos, penso que estamos cegos, cegos que veem, cegos que vendo não veem”. O excerto da obra modernista “Ensaio sobre a Cegueira” de José Saramago, crítica, por meio do uso de metáforas, a alienação de uma sociedade que se torna invisual. Fora do universo literário, tal obra atemporal não foge da cegueira contemporânea, na qual o tecido social brasileiro não enxerga os perigos das fake news. Nesse aspecto, dois fatores são relevantes: a inobservância governamental e a questão histórica.

Em primeiro plano, convém frisar, que o descaso estatal promove subterfúgios ao quadro vigente. Destarte, o iluminista Rosseau, no contexto da Revolução Francesa, afirma o papel do Estado em garantir igualdade jurídica. Contudo, a prática deturpa a teoria, embora no Código Penal Brasileiro (CPB) seja assegurado o combate a divulgação de informação falsa, calúnia e injúria, para muitos cidadãos isso não ocorrem. Em virtude do frágil investimento do poder o público em defrontar as fake news que circulam nas redes sociais e celulares. Além disso, propagadas como: “remédio cura câncer”, e “correntes de WhatsApp” são propagandas, muitas vezes, enganosas inventadas pelas empresas que ganham dinheiro no bom-senso e a falta de informações das pessoas que não investigaram a veracidade da informação. Desse forma é inadmissível que o abandono do governo em relação às demandas sociais retratadas no século XVIII persistam nos dias atuais.

Outrossim, não obstante, bases intrínsecas da herança histórico-cultural corroboram na invisibilidade da questão. Isso ocorre desde a Idade Média, quando Joana d´Arc foi morta na fogueira simbólica, após falsos boatos de ser uma bruxa. Análogo a isso, a sociedade, então, por tender a incorporar as estruturas sociais que são impostas à sua realidade, conforme defendeu o sociólogo Pierre Bourdieu, naturalizou e reproduziu o pensamento da falta problemática passível e alheia de soluções. Dessa maneira, não é à toa que as notícias falsas se espalhem 70% mais rápidos que as verdadeiras, segundo o site do Correio.

Torna-se evidente, portanto, que as fake news representa um antagonismo a ser combatido. Para tanto, cabem as escolas, por serem formadoras de opiniões, em parceria com o Ministério da Educação, conscientizarem as pessoas sobre as fake news, por meio de uma cartilha autoexplicativa ilustrativas, explicando os 10 passos fundamentais antes de compartilharem as informações e a autenticidade da fonte, distribuídas nos centros educacionais, na reuniões de pais e divulgada, no formato de PDF, nas redes sociais, com o intuito de atingirem maior número de pessoas e incentivar o combate os falsos compartilhamento. Desse modo, a cegueira será combatida dita por Saramago.