Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 29/10/2018

No decorrer do século XX no Brasil, o governo de Getúlio Vargas foi marcado por uma série de propagandas mentirosas que visavam a permanência dele no poder: o caso mais emblemático foi o “Plano Cohen” o qual seria um suposto “atentado comunista” contra o presidente. Nesse contexto, embora ao longo história as notícias falsas tenham feito parte do cotidiano dos indivíduos, na atualidade elas têm ganhado mais velocidade de propagação, haja vista a difusão dos meios de comunicação. Logo, é notório que as “Fake News” são capazes de fragilizar um Estado democrático, uma vez que funcionam como mecanismo de polarização ideológica, a qual gera isolamento político do corpo social.

Numa primeira instância, a difusão de notícias falsas é um instrumento utilizados pelas classes dominantes a fim de atingir um inimigo ideológico. Nesse sentido, fala-se, atualmente, no termo “pós-verdade”: notícias tendenciosas criadas especialmente para gerar impacto e comoção nos indivíduos, onde as crenças individuais são hipersensibilizadas em detrimento dos fatos reais. Analogamente, o caso das eleições dos EUA caracteriza essa problemática, quando empresas especializadas em “Fake News” criaram uma série de detrações para prejudicar um candidato e favorecer o outro. Desse modo, num mundo cada vez mais servo da internet, a propagação de notícias falsas é características de regimes autoritários – assim como o de Vargas -, onde estes retiram da população o direito à informações fidedignas, criando sujeitos alienados de sua realidade.

Com efeito, o indivíduo passa a se “fechar” dentro de uma “bolha ideológica”, alienando-se e não possuindo contato com pensamentos contrários. Nessa ótica, as redes sociais possuem um mecanismo de algoritmo, ou seja, que selecionam informações – falsas ou não – as quais sejam de interesse, perfil e gosto de cada usuário. Por esse viés, de acordo com o sociólogo norte-americano Richard Sennett, esse mecanismo tecnológico acaba deixando os sujeitos cada vez mais primitivos socialmente, ou seja, a uniformização do pensamento fomenta a perda da capacidade de diálogo e troca de ideias. Dessa maneira, esse sistema informativo atual colabora diretamente para a divisão e segregação da sociedade em polos ideológicos.

Impende, pois, medidas que visem atenuar a problemática das “Fake News”. Em primeiro lugar, o poder executivo federal deve criar mecanismos virtuais como aplicativos que identifiquem se uma notícia é falsa ou não, através da análise de dados, links e autores. Essa medida se concretizará através da gratuidade e divulgação do aplicativo para que a população possa acessá-los e denunciar os conteúdos mentirosos, visando a retirada do conteúdo da redes. Assim, colocando todas as medidas possíveis em prática, pode-se garantir o direito à informações verdadeiras de todos os cidadãos.