Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 30/10/2018
Na segunda guerra mundial, as grandes potências – Estados Unidos e Alemanha – utilizavam da propaganda estatal e propagavam inverdades com o objetivo de manipular e regular o pensamento da sociedade para seus interesses. Na contemporaneidade, as Fake News (notícias falsas), tornam-se um objeto de estudo importante nas relações sociais e política. Diante dessa temática, dois aspectos fazem-se relevantes: a razão desse fenômeno a partir do avanço da sociedade e a ação do Estado para intervir nessa problemática.
A priori, é factível ressaltar as transformações tecnológicas e sociais como impulsionadoras para a propagação de mentiras. Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, o termo modernidade líquida corresponde às evoluções tecnológicas e suas consequências para sociedade, que não sabe lidar com as rápidas transformações. Sobre tal perspectiva, o indivíduo hodierno, impulsionado pela praticidade das tecnologias, substitui as mídias sociais tradicionais –jornais, revistas e o rádio- pela internet, no qual o indivíduo recebe milhares de informações não verídicas e sem credibilidades com o objetivo de influenciar a opinião do leitor. Dessa forma, as novas mídias sociais são uma ferramenta para a propagação das Fake News.
Consequentemente, o crescimento das Fake News a fim de convencer a opinião pública revela uma ameaça à democracia. De acordo com a filósofa Hannah Arendt sobre a banalidade do mal, os contingentes populacionais são influenciados à prática do mal devido à cegueira intelectual administrada por instituições, grupos ou governos. Embora a filósofa tenha constituído seu pensamento na época do nazifascismo, analogamente na atualidade, as Fake News são administradas para influenciar o pensamento crítico da sociedade, por exemplo, as eleições nos Estados Unidos e do plebiscito do Brexit, em 2016, na qual teve interferência de notícias falsas divulgadas na internet, segundo a universidade Oxford. Sendo assim, fica evidente que é dever do Estado evitar a disseminação das Fake News para garantir o exercício da democracia e permitir as decisões individuais dos cidadãos.
Urge, portanto, uma necessidade de intervenção Estatal para priorizar o exercício democrático em sociedade e nas redes virtuais. Para isso, é preciso que o Governo Federal reformule a lei do Marco Civil da Internet levando a discussão de reformulação no legislativo de modo a abranger os crimes contra as Fake News e qualquer notícia falsa que tenha caráter de propagar mentiras, com o propósito de efetivar o direito crítico do cidadão. Somente assim o sistema democrático será fortalecido diante das ferramentas criadas para manipular o cidadão.