Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 02/11/2018

Com a invenção das redes sociais, a difusão de informações se tornou mais eficiente, devido ao fácil acesso e o seu grande alcance. No entanto, muitas pessoas, com o fim de autobeneficiamento, se aproveitam dessa facilidade para produzir notícias falsas, de maneira que pode gerar vários problemas para a população. Dessa forma, faz-se necessária a discussão acerca da problemática em questão, que segue intrinsecamente associada a situação atual do país, seja pelo individualismo das pessoas, seja pela ineficiência estatal.

Primeiramente, é válido apontar que uma das principais causas do cenário apresentado é a sobreposição dos objetivos individuais aos coletivos. De acordo com a literatura machadiana, o homem é desprovido de moral e virtudes. Sob essa perspectiva, muitos internautas criam e espalham “fake news”, com o intuito de denegrir a imagem de alguém, ação muito comum em períodos eleitorais; para autopromoção, ganhando visualizações e curtidas ou, simplesmente, por diversão. Tal conjuntura pode acarretar muitas máculas, como o caso, em 2014, da mulher que foi morta após a divulgação de boatos de seu envolvimento com magia negra. Esse fato corrobora a máxima dita por Joseph Goebbels: “uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”.

Ademais, outro fator agravante do quadro exposto é a falha atuação do Estado no que tange a mazela abordada. A Carta Magna brasileira garante a todos os cidadãos a liberdade à informação. Porém, a realidade do país vai de encontro à Constituição Federal. A grande quantidade de “fake news” disseminada desencadeou uma grande onda de desinformação, em consequência da dificuldade de identificação no tocante à veracidade das notícias. Além disso, a carência na educação digital piora ainda mais o contexto hodierno, tendo em vista a falta de discernimento da população quanto ao filtro de informações supracitado. Como prova disso, dados divulgados pela Universidade de São Paulo mostram que cerca de 12 milhões de pessoas divulgam notícias falsas no país.

Portanto, a disseminação de notícias falsas, no país, se mostra uma barreira a ser superada. Para isso, o Governo Federal deve, por meio da intensificação de investigações realizadas pela Polícia Federal, identificar e punir os criminosos, para atenuar o alarmante índice de produção de “fake news”. Por fim, é necessário também que o Ministério da Educação, em conjunto com as escolas, por intermédio de palestras e oficinas, instrua o povo, de maneira que os indivíduos desenvolvam a sensibilidade necessária para filtrar bem as informações, assim como os alunos, de modo que eles não sejam influenciados a realizar os atos criminosos antes citados, pois, como disse Kant, “o homem é o que a educação faz dele”.