Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 30/10/2018
Segundo Claude Lévi-Strauss, antropólogo e filósofo belga, a interpretação adequada do coletivo ocorre por meio do entendimento das forças que estruturam a sociedade, como os eventos históricos e as relações sociais. Hodiernamente, verifica-se a propagação das Fake News, notícias falsas veiculadas, muitas vezes, na internet, que ferem o direito de acesso a informação e são um reflexo da falta de educação digital no Brasil. Convém avaliar os fatores que contribuem a essa problemática para que o governo e a sociedade atuem contra os perigos das Fake News na era da informação.
Certamente, a propagação de inverdades é algo recorrente na história da humanidade, e isso é visto ainda na Grécia antiga com a mitologia, onde o embasamento do que era dito não importava, mas sim a autoridade e dialética de quem contava. Isso mostra que as notícias falsas são uma sobreposição dos interesses pessoais de quem as propaga, intencionando o convencimento do público, e o motivo pelo qual elas são disseminadas atualmente é a falta de educação digital dos internautas brasileiros, o que abre espaço para sites e páginas sem credibilidade espalharem conteúdo, facilitado com o compartilhamento pelos usuários, que não verificam fontes nem a veracidade e concordância dos fatos.
Indubitavelmente, as Fake News são muitos danosas à sociedade, podendo ser estratégia de convencimento inclusive político das massas, como pode se verificar na história brasileira pelo Plano Cohen no governo de Getúlio Vargas, com a falsa notícia de uma ameaça comunista, que alimentou a aceitação do Estado Novo pelo público, embora hoje seja conhecimento dos estudiosos de que se tratava de uma mentira para polarizar a opinião pública. Ademais, é necessário salientar que a criação de Fake News não se enquadra na liberdade de expressão mas, muito pelo contrário, é um ato inconstitucional que fere o direito do público de acesso a informação, previsto na constituição de 1988.
Destarte, são evidentes os problemas gerados na sociedade pela problemática supracitada, explicitando a necessidade de seu combate. Para isso, o Governo Federal deve criar um órgão governamental de fiscalização virtual, que combata ativamente a propagação de Fake News, funcionando, para os internautas, como um mecanismo de denúncia de meios de comunicação sem credibilidade e de links de notícias falsas. Outrossim, a sociedade deve integrar-se nessa solução, e, desse modo, o Ministério da Educação, em parceria com os principais veículos midiáticos, deve disseminar campanhas orientando o público a verificar a veracidade das informações, e conscientizar quanto ao compartilhamento das mesmas. Com efeito, é possível caminhar para o fim dos efeitos negativos das Fake News na era da informação.