Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 02/11/2018

No livro “Dom Casmurro”, Machado de Assis estimula o senso crítico do leitor ao retratar a história entre Bentinho e Capitu. Bentinho desconfia ter sido traído por Capitu mas o leitor não é capaz de saber a verdade já que a narrativa é feita através do olhar de Bentinho. Portanto, há um alerta acerca de acreditar em histórias que retratam um único ponto de vista. Já fora do romance, é notável o grande fluxo de notícias falsas na era da informação. De modo que as redes sociais fazem o papel de canal para a desinformação que causa ameça à democracia.

Em primeiro lugar, as redes sociais proporcionam acesso amplo às informações na mesma proporção em que viabilizam o contato do usuário com as notícias falsas. Tal problemática é comprovada por Bauman em um entrevista ao jornal El País, o filósofo afirma que as redes sociais são muito úteis por oferecerem serviços prazerosos, entretanto, também representam uma armadilha para a sociedade. À vista disso, indivíduos usam suas redes sociais sem desfrutar do senso crítico para estimular a indispensável averiguação dos fatos. Embora a era da informação tenha possibilitado um fácil acesso à ferramentas de pesquisa, como o “Google”, muitas pessoas ignoram sua utilidade e importância pelo simples desinteresse em confrontar as informações compartilhadas nas redes sociais.

Outrossim, é o fato ocorrido durante a eleição presidencial nos Estados Unidos em 2016. A candidata à presidência, Hillary Clinton, foi alvo de notícias falsas, o que acabou resultando em um beneficiamento de seu adversário assim como o comprometimento da democracia do país. Sendo assim, a disseminação de inverdades prejudica o acesso à realidade e tem seu efeito na decisão do indivíduo, influenciando-o a se basear em informações errôneas para depositar sua confiança em um candidato.  Ademais, a forma como muitos partidos políticos manipulam notícias ao seu favor, de modo a convencer a população sobre suas ideologias e sua forma de governo, além de incitar a rejeição de outros tipos de gestão, gera um enorme prejuízo para a democracia.

À luz do fatos supracitados, faz-se necessária a tomada de medidas contra as notícias falsas. Logo, o Governo Federal deve reduzir impostos das empresas que produzem ferramentas de checagem de informações. Além disso, responsáveis por meios de divulgação de informes, como “Facebook”, “Google” e “Whatsapp”, devem unir-se com companhias de averiguação para combater as inverdades. Ainda, o MEC deve fornecer material didático para as escolas acerca do tema “fake news”, com intuito de fomentar o senso crítico e a busca pela veracidade dos fatos. Por fim, para que a onda de informações falsas seja finalmente combatida, é necessário que cada indivíduo esteja consciente sobre a sua responsabilidade com a verdade e seu papel como cidadão nessa luta.