Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 30/10/2018
Considerado um dos pais da filosofia ocidental, Sócrates recebeu destaque também por confrontar a atitude dos sofistas, grupo filosófico rival, que valorizavam a retórica acima da verdade, priorizando o convencimento. Atualmente, o uso de “Fake News”, notícias falsas, tem adotado uma perspectiva semelhante no Brasil, principalmente por valer-se de ferramentas digitais que aceleram o processo informativo, para influenciar a opinião dos indivíduos. Esse mecanismo constitui, no entanto, um grave problema, tendo em vista sua capacidade para promover conflitos sociais e preconceitos, além de manipular a política.
Durante o período da Segunda Guerra Mundial, o Partido Nazista fez uso extensivo de ferramentas midiáticas para controlar a população alemã e promover a intolerância. A veiculação de propagandas que atribuíam falsamente aos judeus e outros grupos minoritários responsabilidade pelas mazelas sociais e econômicas foi uma das principais causas do genocídio vivenciado nessa época, pois criou a ideia de inimigos da nação. Dessa forma, é possível constatar o potencial destrutivo das notícias falsas para promover a guerra e a violência.
Além disso, pode-se observar um exemplo atual, a eleição presidencial americana, no qual houve aplicação de “Fake News” com propósito de manipular a opinião políticas dos eleitores. Neste caso, a rede social “Facebook” confirmou o vazamento de informações pessoais de milhões de usuários que foram utilizadas para determinar o perfil de indivíduos mais propensos a aceitar notícias falsas sobre a a candidata Hilary Clinton. O resultado dessa operação foi a vitória do candidato rival, Donald Trump, que foi favorecido pelo impulsionamento de sua campanha provocado pelas notícias fraudulentas. Assim, ficou comprovado o poder dessa ferramenta para influenciar o cenário político , o que representa um alerta aos brasileiros, tendo em conta que o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) já investiga a implementação desse mesmo mecanismo nas eleições de 2018 no Brasil.
Portanto, para enfrentar o problema das “Fake News” é necessário a atuação governamental. Primeiramente, é fundamental que o poder legislativo elabore leis voltadas para o combate de notícias falsas, principalmente no ambiente virtual, com penas mais rigorosas no intuito de desencorajar esse tipo de prática. Ademais, é preciso que a Polícia Federal amplie a investigação das informações fraudulentas, veiculadas em rede sociais, por meio de grupos especializados e devidamente aparelhados que possam identificar os produtores desse tipo de conteúdo reduzindo, assim, o impacto de tais ações. Consequentemente, o Brasil será um ambiente menos vulnerável a esse tipo de ameaça.