Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 31/10/2018

Na obra distópica “1984”, o escritor inglês George Orwell cria o “Ministério da Verdade”, instrumento de um governo autoritário para propagar mentiras que fortaleciam o apoio popular à ditadura fictícia. Embora alertados pela ficção científica, os brasileiros tornaram-se propensos ao comaprtilhamento em massa de notícias falsas pela internet após anos de repressão ao jornalismo investigativo durante a Ditadura Militar. Como consequência, as chamadas “fake news” podem ameaçar as instituições democráticas brasileiras, já que a informação é fundamental para o pleno exercício da democracia.

Primariamente, deve-se pontuar como a Ditadura Militar afastou os brasileiros do jornalismo investigativo, tornando o país mais propenso, anos depois, ao fenômeno das “fake news”. Dessa forma, o Ato Institucional Número Cinco estabeleceu a censura prévia, reduzindo o jornalismo a tabloides e a matérias rasas, que moldaram a forma como a sociedade civil lia e compartilhava notícias. Consequentemente, os brasileiros não foram preparados para, com a chegada da internet, identificar notícias falsas e ter uma postura crítica em relação à informação.

De modo complementar, as consequências da circulação em  massa das notícias falsas por  meio da internet podem atender a interesses de grupos políticos e econômicos, manipulando a opinião pública e desestabilizando a democracia. Atribuída a Joseph Goebbels, propagandista da Alemanha Nazista, a máxima “uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade” explana como os alemães foram convencidos a apoiar atrocidades. Sendo assim, há de se imaginar o papel que a internet, pautada pela instantaneidade e pela viralização, pode ter na manipulação da democracia.

Em suma, torna-se patente como o passado de censura afetou a relação dos brasileiros com o jornalismo investigativo, intensificando o problema das notícias falsas, que ameaçam instituições democráticas na Era da Informação. Para que o fenômeno das “fake news” seja contido, os veículos tradicionais de mídia devem ensinar, em sua programação, os brasileiros a verificar notícias antes de compartilhá-las nas redes sociais. Além disso, o Tribunal Superior Eleitoral deve criar agências de checagem para averiguar e processar possíveis manipulações das eleições. Assim, o Brasil ouvirá os alertas de George Orwell e combaterá eficientemente a desinformação.