Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 01/11/2018

A revolução tecnocientífica-informacional na segunda metade do século XX favoreceu à mudança da dinâmica mundial, diminuindo distâncias e enfatizando os fluxos, conforme Milton Santos. Por um lado, o acesso às tecnologias virtuais proporcionaram a mobilização da população do Oriente Médio para a derrubada dos regimes totalitários, onde se iniciou na Tunísia e ficou conhecido como “A Primavera Árabe”. Por outro, as mesmas ferramentas foram acusadas de serem utilizadas em ciberataques russos e na reprodução de Fake News na última eleição presidencial nos Estados Unidos, que elegeu Donald Trump.

No entanto, o fato ocorrido na América do Norte apenas alertou o mundo para uma nova forma de manipulação e interferência por meio de notícias falsas, em campo supostamente igualitário que é a Internet. Estima-se que essas se espalhem 70% mais rápido do que informações verdadeiras, principalmente por serem destinadas com propósito definido e para determinado público-alvo. Considera-se, também, que cerca de 30% dos brasileiros já compartilharam algum tipo de mensagem que depois descobriram ser mentira e outros 36% que ainda acreditam no que repartiram virtualmente como verídico, mesmo não sendo.

Somado a isso se tem o crescente surgimento de empresas desenvolvedoras de softwares que produzem e disseminam mentiras. Calcula-se que entre 10% e 20% das mensagens automizadas e lançadas na web nas eleições presidenciais brasileiras de 2014 foram relizadas por robôs, segundo a Fundação Getúlio Vargas. Apesar de atentar diretamente para a democracia mundial, as principais plataformas sociais vêm reduzindo o número de perfis falsos e de notícias de efeito cascata, feitas para contribuir com a problemática.

A internet, todavia, é um ambiente aberto que proporciona uma circulação de comunicação acentuada, mas que muitas vezes pode assumir posições antidemocráticas. Logo, a Organização das Nações Unidas, como representante internacional, deve estimular a criação descentralizada e interligada e a regulamentação de órgãos transnacionais para o combate de crimes cibernéticos, aliada com as principais plataformas sociais, já que estas representam cerca de 80% das buscas na rede pela população informatizada, de forma a reduzir os casos de fake news e outras transgressões virtuais que possam atentar contra a vontade coletiva, de forma a dar imparcialidade aos vetores de comunicação para se ter um ambiente de discussão sem desvios e deturpação de informações. Para que, futuramente, se haja uma concordância global acerca da influência que as mídias sociais podem exercer para o bem de todos.