Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 31/10/2018

Segundo o filósofo Jurgen Habermas, em sua teoria do agir comunicativo, a comunicação é um pilar fundamental da democracia, visto que por meio do diálogo e da participação há harmonia de interesses e, portanto, chega-se a um bem comum. No entanto, no cenário atual, as Fake News têm barrado o acesso democrático à informação, tanto pela sua rápida propagação, quanto devido ao seu uso em prol político.

Primeiramente, é importante ressaltar o impacto que a revolução informacional causou nas relações comunicativas, exigindo instantaneidade da informação. Entretanto, tal dinâmica é cercada de perigos, sendo um deles a divulgação de notícias falsas, em virtude da facilidade de propagação, visto que se uma pessoa compartilha para cinco outras e essas repetem a quantidade da primeira, o terceiro grupo formado será bem maior do que o inicial, se assemelhando à função exponencial crescente da matemática.

Além disso, outro risco relacionado ao fluxo de Fake News encontra-se no cenário político. No período entre as grandes guerras, Adolf Hitler se beneficiou do uso de propagandas falsas a fim de valorizar sua imagem e ganhar mais popularidade. Nota-se, hodiernamente, uma certa semelhança no que tange ao processo de publicidade do ditador alemão, uma vez que vários políticos brasileiros têm empregado em seus discursos notícias inverídicas, com o intuito de difamar algum adversário e manipular o receptor da mensagem.

Logo, a fim de garantir o acesso democrático à informação, bem como impedir a propagação de Fake News em benefício político, é necessário que o Ministério da Comunicação crie uma comissão de verificação de notícias falsas nas eleições. Para isso, é fundamental que a escolha dos membros da mesma seja realizada pela câmara dos deputados, com o intuito de escolher pessoas de diferentes vertentes políticas e evitar fraudes. Só assim, o receptor das mensagens terá um acesso maior à verdade, facilitando o agir comunicativo de Habermas.