Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 31/10/2018
Fraternidade e inveracidade: a confluência dos fatos
Desde 2016, nas eleições presidenciais americanas, a rivalidade entre os candidatos Donald Trump e Hillary Clinton provocou uma divisão ideológica no país, que, por consequência, ocasionou a disseminação de notícias falsas pelos apoiadores dos competidores. Com isso, o termo “fake news”, utilizado para simbolizar a inveracidade de informações, consolidou-se nos Estados Unidos e, nos anos seguintes, passou por uma veemente globalização, sobretudo no Brasil. Por consequência, a difusão dessas notícias, movidas pelo ódio ideológico, culmina no falecimento de inúmeros brasileiros e contribui, muitas vezes, para a invisibilidade governamental frente aos discursos intolerantes mascarados de informações. Urge, portanto, ao Estado e à sociedade o debate relativo ao avanço das “fake news”, bem como a influências que estas exercem sociopoliticamente, a fim de que os erros existentes sejam sanados.
Sobre esse viés, consolida-se as ideias da escritora François Héritier acerca de o nascimento da intolerância ser motivado pela necessidade de ascensão social imediata, crises socioeconômicas e regimes totalitários, à medida que, em meio ao recesso financeiro brasileiro no ano de 2016, inúmeras pessoas passaram a difundir notícias falsas com o objetivo de culparem determinados grupos de pessoas pela crise orçamentária e enaltecerem salvadores da pátria. Por consequência, a inveracidade dos fatos ocasionaram a repressão e a morte de brasileiros nos anos seguintes, como a vereadora Marielle Franco levada à óbito ao ser responsabilizada pelo boato de lutar por causas que poderiam prejudicar o sistema sociopolítico brasileiro.
Convém ressaltar, também, a ideia de Zigmunt Bauman no que cerne à invisibilidade na era da informação ser equivalente à morte, visto que, em meio ao descaso governamental frente ao aumento dos volumes das “fake news” e dos seus malefícios sociais - como a desvalorização do jornalismo profissional e o compartilhamento de discursos de ódio por mais de 12 milhões de brasileiros no ano de 2018 -, os falecimentos e os discursos intolerantes por ocasião disso, crescem igualmente. Diante disso, a obsolescência da supervisão estatal nas redes sociais contribui para que a fraternidade comum seja cada vez menos assegurada com a inveracidade dos fatos.
Fica evidente, portanto, o descompasso entre Estado e a sociedade na resolução dos problemas relacionados às “fake news” na era da globalização. Cabe, respectivamente, ao Ministério da Justiça a abertura de concursos para supervisores virtuais, a fim de que os fatos, antes de serem publicados, passem por